02 jul 2015
Viagem

Barcelona y sus historias!

Como te contei no post sobre Madrid herdei a mania de painho de dar cores às cidades. Cada um com sua mania. As cores de Barcelona são várias, mas uma em especial escolhi para Barcelona: azul.

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É esse azul celeste forte e ainda se confunde com o mar mediterrâneo. Isso e muito mais deixa esta cidade…hum.. tô sem adjetivos pra ela, gente… Linda, redundante, mas é o que achei. Barcelona é a capital da Cataluña, comunidade autônoma do nordeste da Espanha. Lá se falam Catalão, Castelhano e Arianês, mas dá pra gente se comunicar com o portunhol de boa. Por uma série de fatores políticos, econômicos e sociais, por mais de uma vez, a Cataluña reivindica ser um estado independente da Espanha, mas até onde sei, ainda não conseguiu.

O nosso primeiro contato na verdade foi bem ruim e aí vai uma dica. Se vier do aeroporto de ônibus direto, a depender do terminal que você desembarque, o buzu vai parar na Praça España. Ao lado da parada do ônibus há uma escadaria onde homens, mais velhos e jovens ficam sentados. Bem arrumados, com camiseta, bermudinha da moda e tênis estiloso. CUIDADO. Eles são ladrões, ousados e sem nenhum respeito. Como ali na praça tem estação de metrô, o turista chega e pode ficar perdido olhando o quadro das linhas do metrô, enquanto isso, eles te cercam por trás e vão enfiando a mão nas bolsas e abrindo bagagens. Foi isso que vimos ao nosso lado com uma dupla de asiáticas. Que cá entre nós, vacilam horrores!!! Usam bolsas abertas, carteira no bolso, sacam dinheiro todo e por aí vai. Ainda tentei sinalizar pra menina, mas ela tava perdida olhando o mapa. Eles metiam a mão da bolsa dela com agressividade e tentaram disfarçar pra eu não avisá-la. Então, se liga gente, oxe! Para de pensar que Europa é terra da maravilha, porque aqui têm os mesmos problemas de qualquer outro lugar do mundo.

Tirando isso, tudo foi muito bom. O lugar é de uma beleza de arrepiar. Tem praia de um lado e serras verdes, mata fechada do outro. Achei-a agitada, mais viva que Madrid, mas mais cara. O primeiro lugar que pensamos em ir ao chegar em Barcelona foi o Parque Güel. Fica assim, dentro destas montanhas e caminhando, subindo e descendo as ladeiras, você vai topando com cenários surpreendentes.

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Eu vou resumir o que é o Parque Güel pra não enrolar muito: o parque foi criado entre 1900 e 1914 por Gaudí, arquiteto-escultor-gênio-surreal-de-maravilhoso depois do pedido do empresário Eusebi Güel. O Güel queria construir entre as encostas das montanhas, um conjunto habitacional pra galera que tinha muita grana, uma espécie de condomínio de luxo. Gaudí, junto com outros profissionais, começou o trabalho que quén quén quén… acabou sendo um fracasso. Diversas teorias dão conta que as famílias, inclusive o próprio Gaudí, não queriam viver presas junto com o Conde Güel, que não era flor que se cheirasse, ou acharam as formas de Gaudí saídas de conto de fadas, ou acharam a localidade longe e por aí vai. Nenhuma teoria até hoje foi confirmada, mas Güel logo cedo viu que o projeto foi fail e depois de vender o espaço para o governo de Barcelona, transformou o lugar em um parque público em 1926. Em 1984 virou Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

A gente começou indo pra parte de cima, subindo até chegar no calvário, ponto alto construído por Gaudí onde abrigaria uma capela e uma cruz. Hoje tem esse músico todo hypado fazendo um som massa e tooodo estiloso 😀

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Subindo mais, a gente encontra a Casa Trias, rodeada por verde como tudo no lugar. Conta a história que a localização era chamada de Montanha Pelada e que Gaudí, no processo de criação do Parque, plantou centenas de plantas de espécies diferentes. A vista é linda de lá de cima, as árvores são bem frondosas e fechadas em alguns pontos e o lugar fica ainda mais incrível. Há vários artistas que ficam em pontos estratégicos do parque fazendo um som. Neste ponto alto, uma dupla instrumental com guitarra suave e distorcida e um baixo faziam “Halo” cantada por Beyoncé com um versão de arrepiar e pra mim, audível. Pela primeira vez gostei da canção. É, não gosto da Beyoncé nem de uma cambada de divas pops, me julguem. Aí foi difícil segurar o zoião. Fugi pro canto, pra trás de uma moita, crente que ia borrar o zói discretamente quando ouvi um click!

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See your reilôu… Reilôu, see your reilôuu, reilôuu uu…

A caminhada vai seguindo pelos viadutos de pedras criados pelo mestre, por outras casas como a dele, pelos pavilhões e escadarias. Tudo cheio de formas, cores e texturas diferentes. As iconografias de Gaudí. O mosaico tão característico deste artista, se misturam com materiais como azulejos e calcário. Porcelana, louças, cerâmicas quebradas que ia pro lixo, foram trazidas de outros lugares e reaproveitadas. Tudo muito inovador pra época.

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Foi aí deste alto onde marido sentou a buzanfa, onde um inspirador dele tocou. Djavan e aquele violão maravilhoso dele gravaram uma série de vídeos aí da arena do Güel. Olha que delícia “Maçã”!

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O Parque Güel daria mais de um post só pra ele de tanto amor que garrei pelo bicho, mas deixa eu te mostrar um pouquinho mais de Barcelona. Outra construção que ainda não acabou, por sinal e originada pelo mestre Gaudí é o Templo Expiatório da Sagrada Família. Gente, eu não tenho palavras pra ela, não… Só dizer que é a igreja mais bonita, mais surpreendente que conheci na minha vida.

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E a gente acompanha um processo importante, fazendo parte da história da arte. É que a ela começou a ser construída em 1882 e ainda não foi concluída. Espera-se que isso vá acontecer até 2026. Começou no estilo neo-gótico, mas Gaudí foi mudando o projeto ao longo da sua construção.

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Quando começou este projeto, Gaudí se dedicou por inteiro. Dormia em uma cama miúda dentro do próprio ateliê, onde ele esculpiu muitas das partes, à mão, da igreja. O artista morreu atropelado enquanto o projeto da igreja seguia. Era um católico fervoroso e devoto e por essas e outras há um pedido de canonização dele. Gaudí deixou a obra desenhada, projetada em maquete e agora, um grupo de outros profissionais segue nesta missão, continuando o que o gênio pensou.

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Gaudí, na verdade, está espalhado por toda Barcelona, afirmando o poder da sua arte. A Casa Batlló foi um edifício reformado por ele a pedido de um empresário.

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Outro lugar que a gente não pode deixar de ir é o Mercado La Boqueria! Aliás, se tratando da Espanha, mercado municipal é lei <3

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Como faz calorrrr pra caramba, corremos pra Barceloneta, praia mais turística e cheia, mas muito agradável e limpa. Água azulzinha, cristalina e geladinha. Uma delícia!

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Parques, praças, largos assim como os de Madrid são sensacionais. O Parque de la Ciutadella é ótimo pra quando o sol cair e o clima ficar mais morno. Dá pra passear de barco em um lago raso, sentar pra tomar um sorvete e descansar depois de uma longa caminhada.

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Ah e dá pra tirar fotos incríveis, claro.

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Foto: Rogério Luiz.

E quem encontramos por aqui? Mais bbs!

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Ainda deu pra passear mais até a noitinha, antes da gente ir. Passamos pelo Arco, Praça Cataluña, Espanha e mais uma confirmação, assim como a encantadora Madrid: o céu de Barcelona também é mágico!

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Foto: Rogério Luiz.

Hasta pronto, España! Beijo, gentes!

 


Uma resposta para “Barcelona y sus historias!”

  1. Juliana Amado disse:

    Evinha, adorei ver esse post, é interessante conhecer a percepção de outras pessoas sobre os mesmos lugares que já fui. Eu amei Barcelona, mas o encontro do DIY Coletivo acabou se sobressaindo à cidade em si.
    Quanto a assalto/ furto, toda cidade grande tem. Eu fui perseguida ano passado no Porto, Portugal, de uma forma que jamais aconteceu comigo no Rio. Em qualquer lugar do mundo eu fico de olhos bem abertos, principalmente na Europa, que tenho um medo do cacete de levarem meu passaporte. Ando com a bolsa pra frente, sempre. Até vivia chamando a atenção de uma das meninas da equipe: fecha a bolsa, fecha a bolsa!
    Uma coisa que me irritou em Barcelona é que quando percebiam que eu era estrangeira, começavam a falar comigo em inglês…. aquilo fervia meu sangue! hahahaha, e eu: “Español, por favor! Yo no hablo inglés!” Eram poucos os que me perguntavam antes se eu preferia que falassem em espanhol ou em inglês.
    Amei a Casa Batlló, o Parc Guell…. mas não curti a Sagrada Família. Gostei bastante da praça e do arco… teve um dia que era feriado e eu estava sozinha… fiquei lá com meu caderno de desenho, rabiscando… carpediando, sabe? Foi uma delícia!

    Beijos

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