2 de outubro de 2015

Design de Iluminação – Projetar pensando na luz

em Artes

Depois de curso de design de interiores e da disciplina Iluminação, minha admiração por esta área dentro da decoração (e também fora dela) só aumentou. Mesmo o contato tendo sido rápido e limitado, me dediquei um pouco às pesquisas deste segmento que ainda vou buscar mais conhecimento, tentar me especializar, sério. Uma pós em Design de Iluminação nunca saiu dos meus planos. Um dos livros bem interessantes que tenho sobre o tema é o “Como Criar em Iluminação” da Editora Gutemberg. Traz quem cria pra o centro da discussão e muito mais. Fala dos processos de instalação em um ambiente, concepção e mostra um estudo de caso do Arnold Chan, um dos maiores designers de iluminação do mundo. O livro diz muita coisa que concordo quando se trata de criar em iluminação. Tanto uma pequena peça quanto um espaço por completo. Mas vamos falar por aqui da primeira opção.

“PROJETAR UMA PEÇA DE ILUMINAÇÃO ENVOLVE PROJETAR PENSANDO NA LUZ”

E penso que isso, minha gente, requer conhecimento. É um designer pensando como designer, engenheiro elétrico, mecânico, físico, artista, deixando ainda em alta a sensibilidade e emoção. Uma peça de iluminação é um objeto físico, assim como uma cadeira. Mas diferente desta última, o que determina o design da primeira não é só a estética, material, forma, engenharias e funções. Além de ocupar um espaço, uma peça de iluminação existe como meio de revelar este espaço. De mostrar ou esconder, de atrair o mínimo de atenção ou expor ao máximo.

Saber criar uma peça de iluminação que pode ser elegante, peculiar, atraente é tão crucial quanto saber a qualidade da luz que ela emite, sua disseminação, difusão, direção, cor, temperatura relata o livro. Uma cadeira implica o ato de sentar-se, uma casa sugere ocupação. Um objeto de iluminação somente se torna uma peça real quando é aceso. E antes disso, os processos de experimentação, estudo, pesquisa e claro, inspiração foram muitos. Adoro poder conhecer um pouco mais de certas histórias e exemplos. Fica melhor pra entender este caminho. Mas escolho mostrar primeiro as luminárias e já já eu volto com ambientes, fechado?

De um processo de observação minucioso e calmo da natureza. Formas, cores e consciência ecológica fazem nascer a Moth Lamp, criação do estúdio de design holandês Snowpuppe. Desenvolvida pela arquiteta Nellianna e pelo designer industrial Kenneth as luminárias são feitas em papel especial que dá ares quentes às lâmpadas frias que economizam energia. A iluminação é mais direta e aconchegante. Desde o material, papel e madeira, até a cor, tudo nasce da inspiração vinda na natureza. Optam por não usar materiais como plástico pra não degradar o ambiente e fazem tudo à mão. Trazem uma geometria mais simples e assim afirmam que “se você olhar de perto, você pode ver que as formas na natureza são construídas a partir de proporções simples.”

6As luminárias do parisiense Mathieu Challières é de uma delicadeza sem fim. Em 1997, o designer deixou o mundo dos negócios e grandes empreendimentos pra começar sozinho seu próprio negócio. Resolveu fazer pro mundo o que fazia pra si mesmo: luminárias e objetos de decoração. Fazendo à mão, começou com luminárias em gesso nas mostras de Paris que logo de primeira foram vendidas. A série “Aves” sem dúvida é a mais poética criada por ele. A ideia, segundo o designer era brincar com as aves falsas de penas reais que foram se refugiar na malha de metal da peça. Olha que lindo? Passarinhos fazendo abrigo na luz, ainnnn <3 A depender do ambiente, os reflexos dos pássaros mudam. O que deixa a obra ainda mais encantadora.

 

7A Eva Newton e a Lorena Canals escolhem muito bem as palavras pra defenderem suas ideias e conseguem traduzir tudo em peças contemporâneas, não só para adultos, mas principalmente para crianças. Depois de pesquisas e estudos resolveram trabalhar com linhas simples, cores pop, graça, kistch e nostalgia. Acreditam que o bom design integra luz, forma e função. Além disso, qualidade, já que no caso desta luminária, a lâmpada de LED pode durar até 50 mil horas. É um convite à imaginação. O escritório da Goodgnight Lamp é baseado em Paris e Barcelona.

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A história da Seletti é antiga o que faz dela uma marca clássica, inovadora porque criou por si mesma novas formas de negócio e porque agrega sempre o que é bom . Tem muita estrada e mesmo assim, não perde a cara de contemporânea. Nasceu na Itália em 1964 por Romano Seletti, um entusiasmado e curioso empresário que viajava pra o oriente para comercializar pequenos objetos pra casa e matéria-prima para confecção de outros mais. Com ajuda de outros empreendedores, o negócio foi aumentando, Romano envolveu a família, filhos e irmãos, que cresceram assistindo ao sucesso do precursor. Na década de 80, adaptou sua própria maneira de fazer negócios devido às enormes mudanças mundiais. A adaptação deu super certo. Filhos e irmãos enveredaram pela área da criação, se profissionalizando.

Hoje, a Seletti trabalha com novos e experientes designers italianos da própria Seletti e de outras partes do mundo. Junto com eles, criam e comercializam inúmeras peças de iluminação e também mobiliário. Os valores da empresa continuam os mesmos: entusiasmo, paixão, criatividade e experimentação. Os profissionais afirmam que pra uma ideia vencer é preciso acompanhamento, proximidade e inovação.”Visite fábricas, converse com os artesãos, com os criadores, introduza no processo novas ideias.”

Aí os exemplos da Seletti. A Maman criada pelo escritório Selab é vendida pela Seletti e é um grande sucesso. 14 lâmpadas em LED, 7 fios de 3m, 7 fios de 4m, um design simples e atemporal.

1As caixas de luz customizáveis também da Seletti. A frente pode ser trocada.

3Caixas e neon.

5Monkey criada pelo designer Marcantonio Raimondi é feita em resina. A proposta é ousada e divertida. Já a Egg of Columbus criada por Valentina Carrera é um design simples que me encanta. É feita em papel prensado e bocais em cerâmica. É delicada, mas resistente. Acho lindas!

2Vi algumas quando fiz umas oficinas em Paris no La Petite Épicerie, te falei aqui, lembra?

14Olha outra difundida por todo o mundo. Também desenvolvida pelo Selab, assim como a Maman e comercializada pela Seletti.

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No mesmo livro que te falei lá em cima, o Arnold Chan diz que a iluminação é interessante porque é  técnica e há muita arte envolvida também. E isso se aplica não só à ambiente, mas às peças. O lado emotivo da iluminação influencia na vida. É intangível. É um salto no escuro. É preciso equilíbrio e conhecimento nos dois campos. A técnica precisa atender à criatividade assim como o contrário. Depois que conheci um pouco mais deste universo brilhante te deixo outros exemplos de criador e criatura com os quais topei. Um beijo!

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