16 de fevereiro de 2018

Férias no Chile – Parte III

Em Roda, menina!

Duas promessas: hoje vou falar menos (juro que me controlo) e vou tacar cor nesse blog! É que quero muito compartilhar o passeio por bairros fofos de Santiago como o Lastarria e seus bares bem decorados, feiras de usados nas ruas, luzinhas, feirinhas, bazares e muita arte de rua por tantos outros lugares.

 

CENTROS CULTURAIS

Passeamos muito pelo Lastarria, pois ali perto fica o GAM, o centro cultural Gabriela Mistral e onde aconteciam muitas apresentações do Santiago à Mil, o festival internacional de teatro e dança. Conseguimos ver espetáculos que jamais imaginamos com um um de dança de Singapura e Alemanha, além de grupos chilenos maravilhosos que apresentaram musicais em homenagem à Violeta Parra. De arrepiar, lembro bem. Os circuitos culturais, assim como os museus fazem valer cada centavo das nossas viagens.

 

 

GAM – Centro cultural Gabriela Mistral

Uma das dezenas de atividades do festival Santiago à mil. Apresentação de um dos grupos mais antigos de teatro de Santiago bem no anfiteatro do Museu da Memória e Direitos Humanos. De arrepiar!

 

Assim como o GAM, apaixonamos pelo M100 ou o Matucama 100, nome que é endereço também. É uma antiga instituição estilo industrial que hoje é um centro cultural com vários setores. Muito tijolo, concreto aparente, móveis de madeira, cadeiras Tolix e espaços em contêineres.

No M100 vimos um do espetáculos mais lindos que já pude presenciar, o “Especulaciones sobre lo humano” um misto de circo, teatro e desenho produzido por um grupo de artes cênicas e outro grupo de arte circense de Santiago. E tudo feito em um teatrinho de arena bem artesanal que também recebiam instalações em diversas artes manuais, como o bordado, por exemplo <3

Também rodamos muito pelo bairro Providência e paramos por mais de uma vez no tradicional bar Galindo, vale a visita (Muito obrigada pela dica, Terrinha!) Mas avenida mais linda, mais fofa, mais “que eu queria morar” como a avenida Itália não há! É nela que está o Café La Candelaria, que também fazia questão de conhecer antes mesmo de sair da Bahia 😀 Chegando na avenida, dá pra ver logo a proposta do lugar. O antigo bairro de famílias italianas hoje é um local de negócios criativos, de design, moda e decoração.

A avenida é longa e vale passar um tempinho se perdendo pelas lojas e galerias. Cada portinha se revela uma entrada linda e colorida.

Além das lojas, que reúnem trabalhos de pessoas criativas locais e marcas de fora, muitos restaurantes, cafés e bares veganos, vegetarianos, conscientes e claro, fofinhos.

Depois de caminhar pra lá e pra cá, a fome bateu e claaaaro que íamos tomar a “la once” nesse café. “La once” é uma espécie de “chá das cinco” do Chile. E ao entrar, eu só confirmei que morreria de amores por esse lugar!

Piso original em preto e branco, luzinhas, móveis vintages coloridos, tons de azul retrô nas paredes, flores das mesas com toalhinhas coloridas, objetos antigos… ai, ai, suspira comigo, vai…

A gente escolhe qual tipo de café quer, com vários acompanhamentos e preço justo. Comida farta e altamente saborosa. Não deve ser muito difícil saber qual escolhi: no menu, aquele café que dizia “Parisense”.

Saí encantada, super satisfeita (marido mais que eu, afinal ele pode comer o que eu não posso sempre) e revigorada pra conhecer outro ponto dessa avenida: as lojas de móveis antigos e usados! Olhei cada detalhe, vi preços e achei razoáveis comparados ao do Brasil, quis roubar vários mentalmente e dali seguimos até o metrô olhando mais cantinhos coloridos e com esse sol pra brindar o dia. Sol de quase 20h!

Pra quem, além de ser uma pessoa admiradora da escrita dele, gostar também de muiiiiito detalhes de casa, conhecer as três casas de Pablo Neruda pode ser ótimo. Digo pode ser porque já na terceira visita eu não consegui entrar por conta da repetição. Fomos à Isla Negra, em El Quisco, de buzu, duas horinhas de Santigo e foi bem fácil de chegar. Isla Negra é uma região de praia, com casas pra moradia e veraneio, como a gente costuma chamar por aqui no Brasil e a estrutura que estamos acostumadas a encontrar em lugares assim. A visita é suuuper interessante, as casas, não só as de Isla Negra, mas a La Chascona em Santiago e a La Sebastiana são lindas e surreais na estrutura, surreais mesmo. Além de entupidas de objetos e móveis, já que o próprio Neruda se dizia uma acumulador. Mas é acumulador mesmo. A nossa preferida foi a de Isla Negra onde ele e esposa Matilde estão enterrados. Tudo voltado para o oceano Pacífico.

 

VALPARAÍSO

Eu disse que não era um roteiro tipo cronológico, né? Porque fomos à Valparaíso depois de voltarmos do Atacama, já na reta final da viagem. Mas como prometi te mostrar cor nesse blog hoje é impossível não falar de Valparaíso. Ai, Valpo! Como você é linda! Moraria fácil. Sem contar que o custo de vida é menor que Santiago, soubemos disso depois de trocar ideia com locais que estudam em Santiago, mas preferem morar em Valparaíso. Fomos de ônibus mais uma vez até esta outra comuna. Assim como no Uruguai a classificação não era como a nossa, de estados, no Chile também não. A viagem dura cerca de duas horas e vai pela Rota 68 conhecida como a rota das vinícolas. Em Valpo pegamos ônibus até chegar no ponto onde iríamos subir bemmmm até chegar na parte alta da cidade (Assim como em Salvador). Fizemos o roteiro de um Walking Tour, mas sem contratar o Walking Tour de Valparaíso e foi muito bom! Na parte baixa já avistamos no alto dos cerros, as cores que nos esperariam.

Valparaíso é uma cidade portuária colonizada pelos Espanhóis também no século 16. Tem mais de quarenta cerros, 47 na verdade e cerca de 300 mil habitantes e resistiu à terremotos, grandes incêndios, ataques corsários. É considerada a capital cultural do Chile e tem o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Pegamos um dia nublado, mas isso não tirou o brilho da viagem.

A gente não tinha mesmo intenção de subir pelas ruas de Valparaíso de carro, não faz sentido se você têm condições. O gostoso e surpreendente é ir subindo as ruas, que são uma galeria de arte pública, à céu aberto, devagar, à pé, sentindo, olhando… O verdadeiro flanar. Logo de cara, a gente não sabia mais pra onde olhar de tanta, tanta arte e tanta cor! E se em Santiago e no Atacama, os cachorros reinavam, em Valpo…

Logo de cara topamos com essa loja fantástica com o trabalho de inúmeros artistas plásticos e designers gráficos do Chile.

Melhor uso para este objeto 😀 😀

 

“Melll dellsss, Eva, que lindooo!” Eu sei, sei que cê tá vendo tudo isso e adorando junto comigo. E vai gostar de saber da história por trás dessas cores: soube que antigamente, os moradores compravam as sobras de tintas dos navios que ficavam pelo porto, além das sobras de placas de zinco que formavam os contêineres e assim começou. Cada um montando e pintando as fachadas e partes exteriores das casas de um jeito. Ao longo do desenvolvimento da cidade, artistas de diversas expressões aproveitaram pra colorir ainda mais a cidade.

Subimos por alguns cerros, sempre à pé e passamos o dia em Valparaíso. Achei pouco, queria sentir mais a cidade, mas mesmo assim saí inundada pelas cores de Valpo!

De lá descemos pra beira do porto, pegamos o metrô e fomos ver o sol se por em Viña del Mar. Isso, metrô mesmo, de tão próximas que são. Passeamos bem por alguns pontos de Viña, como o famoso relógio das flores, sentimos de novo a água gelada do pacífico e perto das 21h nos despedimos dessa parte da viagem cheios de gratidão. Fomos ao terminal rodoviário de ônibus e por mais uma vez foi sem dor de cabeça se localizar pela cidade.

Amanhã volto com o último post dessa viagem  mais que satisfatória e encantadora por algumas partes do Chile. Foram mais de vinte dias de viagem e mesmo com posts tão longos, tô deixando muita coisa de fora. Mas sei que consigo traduzir o quanto conhecer o Chile foi mesmo especial, né? Amanhã tem o nosso olhar, o meu olhar pelo Atacama. Prepara o coração. Um beijo e me conta nos comentários o que achou? Bora trocar uma ideia!