26 jun 2014
Bate-Papo

Hora do Chá com Márcia Marinho

Conheci a Marcinha há um tempo por meio do A Casa que minha Vó queria. Ela contribui com PAPs fofos de costura e decor pro blog e logo me encantei. A Marcinha é dona da Tem Colheita, ou Temco, blog e marca de costuras e foi a partir daí que fiquei mais admirada. Lembro que acessei o blog da Marcinha e em “prosas” onde ela escreve o que quer, sobre cotidiano, impressões, opiniões, li tudo, tudinho de vez. É sensível, simples, humana, generosa. Um coração giga e sorte de quem cabe nele. Além de tudo a Marcinha é o perfeito exemplo de disciplina e organização, o que titia aqui peca horrores. A moçoila organiza retalho de tecido por cor, tudo tem sua caixinha, cada pedaço, cada fio e por isso é uma excelente profissional, criando várias, mas digo, várias e várias peças em tecido, crochê e outros materiais. Desde pequenos brindes, a mochilas e mantas. Mas é na costura que o trabalho dela predomina com ideias lindas que quem é sensível reconhece a grandeza.

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Em tempos de gente valorizando o plástico e outros materiais, ter a Marcinha criando toda semana algo novo em tecido é reconfortante. Há tempos li algo que desdenhava da decoração voltada às mulheres incluindo itens em tecido. Pena. A costura e outras tantas técnicas não é mais um privilégio feminino, nem algo mínimo pra ser subestimado. É expressão, é sustento, é transformação, é arte. Se há 50 mil que não gostam de uma almofada de tecido, há outros 50 mil que gostam e cabe a cada um aceitar o que lhe agrada. Como me agrada e muito, trago a Marcinha pra apresentar a vocês! O Temco tá super disponível pra quem quiser conhecer o trabalho da Marcinha. Lá também tem o link pra lojinha pra você fazer sua colheita!

Aproveita que o inverno chegou, que o chá tá quente e vem com a gente!

Ateliê Casa de Maria: Marcinha, você passou quase duas décadas trabalhando na aviação em São Paulo. Como se deu essa passagem pra o mundo das artes? Quando percebeu que precisava desta mudança?

Marcinha: Digo sempre que foi um momento jamais planejado. Só pensava, brincava com isso. Até que um dia acordei para ir trabalhar e veio aquele “insight”: “Hoje eu mudo totalmente a minha vida”. Chegando no aeroporto conversei com meus supervisores e gerente que não acreditaram, mas carinhosamente e me dando total apoio deram o aval da despedida. Realmente se pensarmos muito não fazemos nada. Tinha medo do comodismo, tinha sede pelo que desconhecia. Acho que posso dizer que eu mesma “mexi no meu queijo”. Mas dou um conselho, não faça porque eu fiz, cada um com seu livro e história rs .

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Ateliê Casa de Maria: Sua criação te ajudou a enfrentar momentos difíceis da sua vida?

Marcinha: Ela não me ajudou, ao contrário me afastei. Coloquei a loja como pronta entrega para que pudesse aproveitar os momentos aos quais me sentia bem e assim produzir. As cores nesse período da minha vida tornaram-se apenas preto e branco.  Não me aguçavam em nada. Pouco entrava no ateliê (só quando me sentia bem mesmo). Eu preciso estar bem para que tudo flua, aconteça, se transforme. É de mim para o que está em volta. E tive amigos anjos para me auxiliarem no resgate interno. Aquele ouvir, ouvir, ler, ler (não sei explicar como dedicaram tanto amor)…foi um resgate das coisas que não tocamos na vida. Apenas sentimos como uma leve brisa. Sou grata eternamente a quem de alguma forma conseguiu quebrar a barreira e ficar ao meu lado. Porque quis e me isolei completamente de todos.

Ateliê Casa de Maria: Você mantém um diário dentro do blog que é uma delícia de ler. É de uma sensibilidade imensa. Você demonstra gratidão e paciência com a vida. Ter se mudado pra o interior te vez questionar mais esses valores?

Marcinha: Fez sim, mas interior não é tão calmo como no tempo da “vovó” rs. Mas ainda assim descubro o rústico no dia a dia. Diariamente tenho uma aula do “isso não posso mudar”. É difícil, mas ao mesmo tempo me faz crescer. Amo escrever e na verdade espero um pequeno capítulo para poder de fato escrever e unir esses elos vagos. É a espera “daquele post” rsrsrs. Alcancei um degrau na paciência (que bom que notou). Só preciso deixar um pouco de ser tão transparente. Gratidão é uma joia preciosa e rara. Mas gosto de chegar nos lugares, a maioria comércio e brincar. Eles saberem do que eu gosto, de prosear sobre nossas vidas. Aprendo demais.

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Ateliê Casa de Maria: Você é um exemplo de disciplina e organização citado em inúmeros outros meios. Escreve sempre sobre isso, contribui com outros veículos e, além disso mostra mesmo como se manter assim. Talvez estas duas palavrinhas sejam o segredo pra quem trabalha em casa?

Marcinha: O artesanato me ajudou a ser mais desprendida do sempre organizada sistemática que sempre fui. Hoje deixo a bagunça fluir, mas esta bagunça na verdade tem seu devido lugar, quando termino o trabalho, em 5 , 10 minutos tudo já está no lugar. Com cada item tendo seu devido lugar, nunca mais a preguiça tomará conta. Uma vez por mês limpo geral e lavo. Realmente é um assunto que amo falar e praticar. Ahhh e a organização e limpeza tem que ser de forma que te deixe livre, feliz para aproveitar e não robotizado que não se sente nem a vontade para sentar depois.

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Ateliê Casa de Maria: Outra questão que você levanta muitas vezes com o seu trabalho é o respeito que você tem com ele e espera que todos tenham. Mas infelizmente, muitos não entendem que a rotina e os horários de quem trabalha em casa são os mesmos de quem trabalha fora de casa. Precisam ser cumpridos e requer responsabilidade. De que forma tenta fazer isso perceptível aos outros?

Marcinha: Vejo que muitos sofrem com certos preconceitos, mas quem faz parte ou começa a fazer parte da minha vida entende de bate pronto e isso cabe a cada um de nós deixarmos  claro. O outro sempre vai fazer o que você permite. Sempre tento passar isso a quem passa no blog. Não é que o outro não respeita o teu horário ou afins, é você quem não deixa isso claro (você não se leva a sério). Ter rotina, separar páginas (pessoal da profissional), cuidado com as fotos são pequenos gestos que ajudam. Procurar entender, aprender o que você de fato quer pra você. Artesanato não é só o “bonitinho”. É investimento e alto.

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Ateliê Casa de Maria: Dá pra ver que você cultiva os detalhes bons da vida diante de acontecimentos simples, de um passeio pelo bairro ou uma viagem rápida. Seriam essas suas fontes de inspiração ou existem mais?

Marcinha: São. Amo simplesmente fechar a porta e ir comer algo na padaria do supermercado e conversar, rir com os funcionários. Alguém chegar e falar  vamos ali comigo (pé na estrada mesmo) .  E quando vou de ônibus acabo conhecendo a história de quem está do lado, é como se fosse um documentário. Gosto de observar. Estando bem comigo consigo fazer a festa sozinha em casa, fotografar a cidade, pequenos detalhes. Amo demais o silêncio.

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Ateliê Casa de Maria: Já falamos sobre disciplina e organização pra seguir com o negócio home office e artesanal. Mas em sua opinião, teria mais algum? Ou com isso (disciplina e organização) só depende de uma outra palavra: atitude?

Marcinha: ATITUDE. Recebo muitos comentários: “Vou ser assim quando crescer”, “Ah, que legal!” “Te admiro muito”. Não, começa já. Enquanto não damos o primeiro passo tudo continua do mesmo jeito e ao contrário acumula-se.  Às vezes o que imaginamos ser um problemão não é  um probleminha quando de fato encaramos. E fazendo, tudo se transforma. Não é a grama do vizinho que está bonita, é você quem não está regando a sua. E esta pode ser tão ou mais verde e florida. Outro detalhe: não use a palavra inspiração para ser o outro. Anote, solte suas ideias, planos, se encontre, se reconheça. É isso que tento passar.

É muito bom ter um trabalho e ser reconhecido nele. E imagina que péssimo alguém olhar e não te enxergar ali?

Ateliê Casa de Maria: Um beijo, Marcinha, obrigada de coração!

 

 

 

 

 


5 respostas para “Hora do Chá com Márcia Marinho”

  1. Márcia Marinho disse:

    Quem é essa hein?!
    Obrigada amore por tanto tanto tanto carinho.
    Por tocar em pontos que ainda não havia conversado.
    Obrigada por tua generosidade, talento esse coração é pra lá de grande como sempre costumo dizer.
    No mais e mais deixamos para nossas boas prosas. Afinal, é no silêncio que as coisas acontecem.
    Beijossssssssssss

  2. ticiane disse:

    Prosa boa e inspiradora!!!! Beijos

  3. Yara Aguilar disse:

    Uma arteira de mão cheia!!!!
    Muita coisa linda!
    Fiquei doidinha nas bonecas e nas corujinhas!
    Beijús!!

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