20 de junho de 2014

Mayra Andrade

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Nooossinhora quanto tempo, hein? Mas perdoa, minha gente, titia aqui quer bater pro gol e defender ao mesmo tempo (#copafeelings) Mas tiro a camada grossa de poeira desta seção com alguém que vale muiiito a pena conhecer. Nos últimos meses descobri a Mayra Andrade e não paro de escutar. É no looping sem dó, porque ela faz um som que talvez busque há tempos. É atemporal. É música do mundo, em várias línguas, com sonoridades diversas e deliciosas, mas ao mesmo tempo tem tradição dos  lugares de onde ela viveu.

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Foto: Divulgação

A Mayra nasceu em Havana, cresceu em Cabo Verde e há anos vive em Paris. Mas já passou por Senegal, Alemanha e Angola. Toda estas influências estão nítidas em quatro discos lançados, o “Navega” (2006), “Storia Storia” (2009) “Studio 105” (2010) e o último “Love Difficult” (2013) cantados em quatro idiomas: Francês, Inglês, Português e na LINDA língua Crioulo Cabo-Verdiano. Esta última tem sido meu xodó desde que a descobri. A língua é sonora, gostosa de escutar. Tem a base portuguesa por conta do processo de ocupação do Arquipélago e com isso a gente reconhece algumas palavras quando a ouvimos. Um exemplo bem pequeno na escrita: ómi (homem) strétu (estreito) tchúva (chuva) nómi (nome). Super me empolgo com estes pequenos desafios. Por horas soa estranho, pois de forma surpreendente, a palavra termina diferente do que a gente imaginava. E  ó eu toda gaiatada estudando o Crioulo pela net? Já já solto um post só nele pra vocês. Rá! Mentchera, néamm?

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Foto: Divulgação

Engraçado que já conhecia a Mayra sem saber. É ela quem participa da canção “Beleza” com Mariana Aydar no disco ” Peixe, Pássaros, Pessoas” que sou viciada. Super. Ela já passou várias e várias vezes pelo Brasil e tem uma relação forte com nossa nação. A começar por um dos produtores do seu disco, o Alê Siqueira e  músicos como Marco Suzano e Jacques Morelebaun. Quando criança ouvia Elis Regina e Maria Bethânia.  Já cantou com o mestre Dominguinhos, já participou do DVD da Mart’nália e tantos outros artistas. Vendo a Mayra falar algumas vezes concordo quando ela diz que há um ponte enorme entre Brasil e África, mas que há tempos se perdeu. Daí surge a arte de uma jovem como ela pra fazer com que isso seja reconstruído aos poucos.

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Foto: Divulgação

Em seus trabalhos, as canções são recheadas por uma percussão marcante, ritmo gostoso, alguns deles baseados em ritmos nativos de Cabo Verde como a Coladeira, Bandeira e Morna. Este último é tipo de música com andamento mais lento e cultivado em praticamente todas as ilhas. É a cara do lugar. Mas todos eles têm em comum a percussão, criatividade. É dançante. O que Mayra traduz com melodias elegantes, sofisticadas, de uma beleza genial. E porque não, tropical? Mais minha cara impossível! É, sou apaixonada. Muito! Algumas canções me ganharam de imediato: “Storia Storia” e o seu refrão fofo, “Mana” me arrepia assim como “Tchapu na Bandera”, com “Lapidu na Bo”  e “We Used to Call It Love” canto até doer a goela. Escolhi o Cd “Love Difficult” pra compartilhar.

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Foto: Divulgação

Pra mim representa muito o que ela é. Livre, eclético. Inesperado. “Téra Lonji” é uma das minhas preferidas! Fala do amor pela terra, além de “Tré Meninu” de uma fofura que só sobre a amizade entre Cadu, Sarita e Alexandrino, o “triiu maravilia”. Nunca consigo escutar uma vez só. Clica e aproveita!

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