8 de abril de 2018

Mesa de cabeceira – Móveis com cabides

em Feito à mão

Eiii gente querida!

Como eu tava saudade de vir aqui com o que a gente sempre gosta: tutorial, Faça-Você-Mesm@, o bom e velho Diy. E quando é um tutorial que envolve madeira, objetos reaproveitados e possibilidade, eu amo compartilhar ainda mais. Então, resolvi trazer pra cá uma série de móveis fáceis, práticos e rápidos de fazer utilizado um material que acho pra lá de versátil, os cabides.

Mas antes, preciso dizer que esses projetos são incríveis e o design pertencem a um cara por quem sou apaixonada. Quando moramos temporariamente na França (se tá chegando agora, basta clicar na categoria viagem do blog pra saber como foi nossa vida em Paris há três anos) tive contato de perto com a história de parte do design de móvel e de produtos, dos mais tradicionais aos mais  inovadores, com as novas ideias de mercado, de criação, de artistas e tudo mais que o universo da criatividade pode te apresentar no Velho Mundo. Nem preciso dizer como sinto falta. Mas, se conheci as e os criativos autores de muita coisa, também fiquei sem saber a fonte de tantos outros trabalhos com os quais topei.

Um desses foi o do Pierre Lota. Soube do trabalho dele em 2015, mas só na volta tive acesso direto ao que ele desenvolve como design e compartilha muitos projetos acessíveis por meio do “open source” ou “fonte aberta” ou ainda “Código aberto”. É quando uma ou um profissional cria algo e compartilha, de forma paga ou gratuita todo o processo da sua criação pra que outras façam o mesmo, reproduzam este modelo pra o uso pessoal. A ideia é que seja mais uma forma de tornar esse sistema de produção, consumo e mercado, mais horizontal, mais aberto e democrático. Além de colaborativo e sustentável. Há que não tenha o mínimo de bom senso (ou caráter) e passa a vender estas criações como se fossem próprias. Isso é mesmo comum e o que mais vejo nesse mundo interneteiro é gente que se diz inovadora se apropriando do que existe na gringa, trazendo como autoral pra cá.

Como penso que quanto mais a gente compartilha ideias, mais ideias boas surgem, mais projetos legais aparecem e claro, mais a gente aprende, alguns projetos com cabides ensinados pelo Pierre vão está aqui. Além disso é uma forma de começar a utilizar ferramentas manuais de marcenaria, caso você queira entrar neste mundo encantado ou só mesmo aprender um novo hobby. Eu sigo de cá, estudando pra compartilhar o que aprendo e também pra criar minhas próprias peças de design que já já estarão à venda. E já há um bom tempo que tudo é feito assim, na sala mesmo, na única mesa que tem mesmo, confundindo pó de serra com farinha mesmo 😀 Mas é por questão de tempo.

Mas, simbora trabalhar! No primeiro post da série vou mostrar uma “Table de chevet” ou “Mesinha de cabeceira”. Se você têm materiais e ferramentas pra meter a mão na massa, você vai usar pra esse projeto, coisa muita básica: uma serra tico-tico, parafusadeira/furadeira pra madeira, lixadeira, ganchos e sargentos, esquadro, trena ou régua e parafusos de  3,5 ou 4. Lembrando sempre dos sistemas de proteção como óculos, máscara e protetor auricular. Esse último, se achar necessário a partir do local que você esteja. Caso não tenha as ferramentas, pode comprar os pedaços de madeira e utilizar chaves de fenda ou estrela, já que a madeira que vamos trabalhar é macia.

Já as madeiras, usei dois pedaços de de 30cm x 30cm de compensado laminado de pínus de 15mm de espessura, mas também pode ser o de 18mm e mais quatro cabides. O compensado é uma madeira transformada super macia.

Como crio com madeira, as tenho sempre espalhadas pelo apê (que sim, continua à venda :D). Então, depois de fazer um plano de corte simples pra obter os dois quadrados fiz o corte. Vejam, a serra tico-tico não é a máquina ideal pra corte reto. Ela é pra corte curvo e livre, mas fazendo guias com outros pedaços de madeira, réguas grandes como as réguas de pedreiro, você consegue fazer um corte mais próximo do reto. A posição recomendada das mãos, principalmente quando a gente tem primeiros contatos com ela é sempre assim, enquanto uma mão segura pra o corte, a outra segura pra apoio ou pra guia.

Foto de mais uma encontro do Pequenos Conteúdos Criativos, meu conjunto de oficinas que inclui marcenaria só pra mulheres!

 

Depois do corte feito, lixei as superfícies com uma lixadeira elétrica orbital, também conhecidas como “Treme-treme” pois assim é o sistema de lixamento, ela vai tremendo enquanto nós fazemos o movimento. Algumas vêm com coletor de pó acoplado, gabarito pra furo e lixas pra gente se guiar no tamanho. O sistema dela também é por sucção, por isso o gabarito: é que na base das lixadeiras há furos por onde o pó vai sendo sugado enquanto lixamos. Se não houvesse o gabarito, furar a lixa na posição correta dos furos seria muito mais difícil.

Depois de lixar levemente com uma lixa nº 100, mais grossinha, apliquei a primeira demão de seladora à base de água, mais leve e fácil de trabalhar e limpar. Porém, mais “frágil”. É que as seladoras à base de solvente deixam um acabamento mais plástico, protegendo ainda mais a madeira. Uso sempre que tenho mais tempo pra esperar a secagem. Lembram que falei disso no Instagram quando montava a minha sala? Então, por lá usei seladora à base de solvente em tudo.

A seladora, como o próprio nome diz, tem o papel de selar a madeira, protegendo de agentes externos como alguns fungos, bichinhos ou água. Não é indicada pra usar em peças que fiquem em áreas externas com exposição constante ao sol e à chuva, bem como não deve ser usada em tábuas pra comida ou qualquer superfície de madeira que vai ser usada pra manusear alimento. A gente pode usar um pincel pra aplicar ou uma boneca. Eu prefiro boneca.

A boneca é uma trouxinha feita com uma malha macia, com mais algodão, mais velhinha e recheada com estopa. Super simples de fazer. Camisa velha, ou até calcinha e cueca velhas dão ótimas bonecas 😀

A seladora à base de água não precisa diluir, então comecei a aplicar direto. Se usasse à base de solvente, iria diluir com o produto indicado pelo fabricante e é super simples. O segredo da aplicação da seladora é fazer um movimento contínuo quando aplicá-la na madeira, seguindo os veios dela. Nunca parar no meio ou ir aplicando em pedacinho em pedacinho, porque depois que seca, pode ficar as marcas na madeira e não ficar uniforme. Na primeira demão, ela vai “arrepiar” a madeira, deixando-a áspera.

Apliquei a primeira demão e lixei com lixa nº 220. Esperei secar, depois dei mais duas demãos e entre cada uma, uma lixada com a lixa nº 220. A cada demão a gente sente uma camada de se formando, ficando “macia” a superfície. Quanto mais demão você der, mais macia vai ficando. Depois de seca, apliquei ainda cera de carnaúba com uma flanela sem cor, fiz um polimento e assim finalizei os dois tampos com o meu acabamento preferido em madeira. Passei pra os cabides. Tirei os ganhos de ferro e lixei bem cada cabide, até tirar o verniz existente, até ver que ficou fosco, poroso. Os ganchos de ferro não é bom jogar fora, eles vão auxiliar na pintura.

Garanti a pintura de um dos lados aplicando duas demãos de tinta em spray nesse azul lindo <3 Depois de secos, coloquei os ganchinhos de ferro de forma leve, só pra me dá sustentação e apliquei a tinta pelo resto do cabide que ainda não tinha pintado. Até na hora de secar, os ganchos ajudam.

Tudo seco, lixado, selado, pintado, hora de montar. Usei ao todo 12 parafusos, entre os de 3,5 e 4, que tinha em casa. A principal dica pra furar madeira é: sempre abra caminho antes. Abra caminho com um furo com uma broca mais fina que o diâmetro do parafuso pra ele não ficar frouxo. Mas o furo vai evitar surpresas como por exemplo, o parafuso rasgar a sua madeira. Usei uma broquinha de 2″, que uso bastante, pra abrir os furos do bem no meio do encontro curvo do cabide. Coloquei um embaixo do outro pra garantir que os dois ficassem simétricos.

Em seguida, comecei a instalar a prateleira do meio pra me dá logo sustentação, já que só têm duas mãos pra fazer este projeto todo 😀 Deixei a madeira bem da borda da parte do cabide onde penduramos as roupas e coloquei dois parafusos.

Fiz a mesma coisa do outro lado e a mesinha começa a dá as caras.

Preguei os cabides do outro lado.

Aproveitei pra retocar o spray ali e aqui e dei um tempo secando. Depois, instalei a prateleira de cima da mesma forma, furando o cabide, segurando a madeira, instalando os parafusos. Mas na parte superior, só precisa de um de cada lado. Os parafusos do meio são em dois pra dar mais sustentação. E só! Super fácil, não? Olha o resultado que lindo!?

Observem os parafusos…

Não subestime esse móvel. A peça é leve, pequena e cabe em vários cantinhos de um espaço pequeno. É um móvel de apoio pra itens menores e mais leves, não é, claro, um móvel pra coisas suuuper pesadas, mas pode ser usado o tempo todo em qualquer lugar. Fica com um pouco mais de 40 cm de altura, medida boa pra peças de apoio lateral pra cama, sofás e o que a gente desejar. O total do investimento, aqui no interior, não passou dos R$ 100,00 (Conjunto de 4 cabides entre R$ 18,00 e R$ 25,00; Dois pedaços de madeira compensado 15mm de 30cm x 30cm por R$ 20 caso não tenha em casa; Parafusos por R$ 0,16 a unidade; Seladora R$ 25,00 e tinta spray R$ 18,00) Isso se você for comprar todos os materiais. No meu caso, só comprei o cabide mesmo.

Ainda tem a opção de usar tanto com as perninhas de cabide viradas pra frente, tanto na lateral.

Aiiii que eu adorei <3 Quem fizer me avisa, plis! E claro, é sempre, sempre necessário, educado e correto dar os créditos pra quem cria e/ou executa, compartilhando essa informação. Quem fizer, me avisa, me marca, me deixa saber, gente! Vou adorar compartilhar!

Se você quer começar a perder o medo dessas ferramentas ou começar a entrar no mundo mágico da marcenaria saiba que eu tenho o Pequeno Conteúdos Criativos, projetos de oficinas como o próprio nome diz, encontro curtos, mas de resultados grandiosos. São voltadas ao aprendizado da criatividade, desenvolvimento de habilidades manuais e fomento à capacitação e geração de renda por meio de atividades diversas e a oficina de introdução à marcenaria artesanal é uma delas. A intenção não é sair deste encontro fazendo uma mega cozinha planejada, mas começar, dar o primeiro passo, esse start que muita gente fica esperando e nunca dá. Se você, sua empresa, seu grupo, sua ong se interessar, clica aqui pra saber mais e me manda um sinal. Vou adorar conversar e articular isso contigo.

Até semana que vem e ao próximo móvel com esses cabides véi que cê tem aí no fundo do guarda-roupa! 😀

Beijo!