21 de agosto de 2015

Morando em Paris. E aí, como foi?

Em Viagem

Eita, eu sou uma anta: eu mesma me faço uma pergunta que não consigo responder. Mas antes de buscar alguma resposta, vou tentar imitar o Cauby e com aquele sotaque muso dizer que “Voltcheii, voltcheiii…” e tava morrendo de saudade de sentar aqui pra gente prosear. Precisei suspender o serviço da Casa por um tempo, foi preciso. Era muita distração nos últimos meses de vida na Europa e não queria vir aqui pela metade.

Agora não tá faltando parte nenhuma, então, colírio no zói porque vai ter muita coisa boa por aqui e por outros meios. Sério, dou fé. Mas eu digo que sou anta porque é impossível eu te dar um resposta objetiva do que foi morar em Paris e conhecer outros lugares da Europa. Quando os amigos me perguntam, eu simplesmente digo que não sei direito, não por não ter o que falar, mas por ter muito! Foi surreal, foi maravilhoso, foi importante, foi único, foi inesquecível, foi engrandecedor, foi impulsionador. Veja, são opiniões minhas, inteiramente pessoais.

Foi surreal quando depois de oito meses de planejamento, isso, oito, a gente pisou os pés em Paris com menos dois graus de temperatura. Era um trabalho tão grande pra duas pessoas que jurava que não ia dar conta. Nenhum momento pensei desistir. Começou, já foi, vai até o fim. A disciplina, as abdicações não foram esforço, confesso, mas lidar com a espera da burocracia, sim. Além disso, tratar de grandes assuntos pessoais como quem ficar no apê, pra cuidar dele e dos bebês, as contas daqui, o carro, enfim. Mas a sabedoria divina é perfeita, claro e um anjo (Dan, muito obrigada!) acolheu nosso lar com segurança, carinho, respeito e viajamos seguros, com a sensação de dever cumprido.

Pisar em um lugar tão estranho com gente tão diferente e com o idioma básico ainda sem treino com nativos teve lá suas dificuldades. A primeira semana, então, foi de uma grande adaptação. Era tudo MUITO novo, mas quatro dias (quatro mesmo) o estranhamento deu lugar às gostosas descobertas e aprendizados que vivemos até voltar.

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Foi maravilhoso porque começamos morando no Saint Germain des Prés, tido como bairro nobre, chic e… nada a ver com a gente. À margem esquerda ou Rive Gauche parisiense. Mas foi sim maravilhoso porque a gente se questionaou pra caramba ao cair logo de cara nessa Paris de alguns blogs de turismo. Dos Cafés onde artistas e escritores frequentavam, onde o burburinho “fancy” acontecia e muito mais, afinal, essa é a cara que os meios fazem acreditar que a cidade tem e que ela também gosta de vender. Foi no Saint Germain que comecei a treinar a língua, a manter um contato diário com a moça do mercado, com o cara da banca de revista, com o da papelaria e os pequenos vínculos de onde nascem uma rotina mínima começaram a existir.

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No primeiro cantinho e os primeiros sinais de amor por Paris <3

No primeiro cantinho e os primeiros sinais de amor por Paris <3

Mas o dia-a-dia de uma cidade grande também deu logo as caras. Era a família de pedinte no mesmo lugar de sempre tremendo de frio, calçadas absurdamente sujas, atropelamento de pedestre na faixa de pedestre, gente grossa como a porra e por aí vai. Não demorou muito pra eu, na maior audácia, discordar do caro Hemingway e ver que Paris não é uma festa. É uma cidade. E como tantas outras no mundo têm mil maravilhas e mil problemas, claro. Um, dois, três meses se passaram, o inverno deu lugar à primavera e seguimos conhecendo os principais e os escondidos pontos da cidade. Conhecendo moradores dali, de outros países e bebendo cada influência.

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Notre Dame

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Giverny, interior da França. Jardins de Monet.

Foi importante porque é aquela velha história que você começa a aprender, lidar e ver coisas que expande mais sua visão de mundo, sua mente e voltar pro tamanho anterior não dá mais. A essa altura já tínhamos feito amigos franceses e brasileiros. Outros estudantes com outras vivências, mas com o mesmo sentido que a gente queria dar pra este período: de experimentação. A Paris mais popular, mais original, mais crua, mais distante dos roteiros turísticos. Enfim, a gente queria construir na gente, a nossa Paris. Mudamos pra margem direita e mesmo ainda sendo numa região considerada chiquetosa, encontramos um cantinho perfeito no querido Cadet.

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Nosso studio querido!

Comecei a estudar francês com gente do mundo todo e sem dúvida, sem dúvida, uma das coisas mais inesquecíveis da vida. Sinto saudade de Carry, a inglesa com alma mexicana, minha colega mais próxima e das minhas professoras queridas, Helene e Anna. No Cadet, ficamos aos pés das ladeira de Pigalle e Montmartre, da antiga boemia e a pouco tempo de bike do 19º arrondissement, onde encontramos nossos parques preferidos, a noite perfeita, do 20º arrondissement e seus imigrantes, amigos queridos e muito, muito, muito mais. Ouvi grandes músicos, vindos de várias partes do mundo, assisti grandes shows fora e dentro do metrô que só confirmaram que de Paris eu vou lembrar sim dos gostos e cheiros, mas quando pensar nela, vou lembrar do som. Extremamente musical. Só coisa boa. Conseguimos fugir da Paris que começou a nos cansar e descobrir com outros olhos, todo encanto de verdade que ela tem.

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Minha primeira turma. De filipina à polonês, todo mundo se embolou no francês.

 

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Meu coração pelo mundo: com Ni e Ta em Paris, com Nic em Fortaleza, com Fanzita no Rio Grande do Sul <3

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Parc des Buttes-Chaumont. Os melhores pique-niques dessa cidade aconteciam aqui!

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E com as queridas companhias. Sa e Fanzita <3 Mas falta muita gente

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Parc de La Villette. Roteiro imperdível pra todo mundo!

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Belleville e a arte livre <3

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Feirinhas e shows. Ai, que saudade!

Foi único porque são experiências que, claro, podem até se repetir, mas não com a mesma configuração. Não tem como ser a mesma, mesmo que de forma mínima, depois de sair do seu quadrado e conhecer o quadrado alheio.

Foi inesquecível e por inúmeras, inúmeras vezes me pegava por minutos à fio contemplando, agradecendo tudo o que meus olhos viam. Tudo que senti, aprendi. Tudo que vou carregar comigo. Descansei, curtir, tomei várias, estudei, aprimorei meu trabalho como designer, artesã e jornalista e trouxe na bagagem um tanto de coisa boa. Relaxa, prometo compartilhar contigo daqui pra frente.

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Alguns dias nela e ela vai comigo pra sempre. Amsterdam.

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Memorial do Holocausto, Berlim. Berlim me nocauteou e ganhou meu amor.

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Cursinho de novas técnicas em encontros com criativos franceses incríveis!

Foi engrandecedor porque conheci o modo de pensar de diferentes pessoas do mesmo lugar, de diferentes pessoas de outros lugares. Aprendi com ele e os ensinei também. Refleti sobre os conceitos pré concebidos e desmistifiquei outros tantos. Me apaixonei por tantos outros lugares e culturas, mas não deixei de amar os meus e a minha mais ainda. Reafirmamos o que já carregamos, respeito, amor, perdão, humanidade, alegria. E uma grande recompensa é poder viver com mais tempo em um lugar e poder saborear muita coisa dele. Comida, música, livros, artes… Com tempo pra caminhar, comer, olhar, viajar pelo interior…

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Um dos campos de Tulipas em Keukenhof, Holanda.

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Brugges, Bélgica. Alegria? Temos sempre!

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Espanha e o seu céu mágico <3

Auver-sur-Oise. Interior da França e última cidade onde o mus Van Gogh viveu. Vai ter post <3

Auver-sur-Oise. interior da França e última cidade onde o muso, grande ídolo Van Gogh viveu. Vai ter post <3

Cidade de boneca é igual à Monnicenkdam, interior da Holanda.

Cidade de boneca é igual à Monnickendam, interior da Holanda.

Ó, a gente aprendeu tanto nessa viagem, que até essa coisa que os jovens bonitos fazem voltamos fazendo: selfie.

Paris1Ok. Quase.

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Ainda não dessa vez que vamos voltar craque em selfie. Preciso de outra viagem internacional pra aprender 😀

E por fim, foi impulsionador, porque fizemos que nem esponja seca quando encontra uma nesga de água. Sugamos tudo o que pudemos, absorvemos tudo o que a cabeça conseguia captar. Caminhamos como NUNCA em nossa vida, rodamos, rodamos que este resumão foi mesmo bem pouco diante de metade de um ano de experiências. Vou te trazendo mais, aos poucos, prometo. E pra onde isso vai nos levar? Pra coisas boas, eu espero. Já começamos a colher esta semeadura. E mesmo se não, o que vale mesmo é o que ficou registrado da memória e no coração. Vou ficar com saudade? Demais, principalmente de poder andar onde e como quiser sem me sentir insegura ou agredida. Mas não há o que lamentar. Só comemorar e agradecer.

Meu beijo de amor e gratidão a tudo e todos. Simbora que tem é coisa pra fazer e volto pra dividir contigo dicas que podem te ajudar numa viagem pra lá. Vamos ficar perto de novo, sim ou com certeza?

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