15 de abril de 2014

Na casa vizinha – Raul Santos

Em Bate-Papo

Eu tava doida pra inaugurar esta, digamos, seção do blog. O ” Na casa vizinha” sempre existiu na minha cabeça quando pensei no blog. É que sempre tive curiosidade sobre a casa do outro. O que tem nela, como eles pensam o espaço, quais acessórios interessantes e como é essa extensão. Porque pra mim é isso, um lar é a nossa extensão, um relato das nossa histórias, é algo autenticamente nosso.

Então, com ajuda de amigos e amigas sempre vou encontrando cantinhos bacanas pra dividir com vocês. Longe de mim buscar casas de novela pra compartilhar aqui. É casa de gente real onde muitos detalhes, mesmo que pequenos e sem importância pra muitos têm um significado enorme para outros e foram construídos com muito carinho. Agora quero apresentar pra vocês, o Raul.

Quando comecei a pensar em o que escrever sobre o Raul, me vinham sempre à cabeça, histórias como as de Pedrinho do Sítio do Pica Pau ou João Pé de Feijão, alguma que tinha um menininho, peripécias e sua relação com a natureza. Eu e minhas viagens psicodélicashistóricasporaí. A fama do menino já era grande entre os amigos e amigas, até que uma delas que amo muito, tratou de me aproximar do Raul. Quando o conheci pensei: “Ah, qué qué esso minha gente, isso é exploração do trabalho infantil, vou denunciar” porque ele tem mesmo cara de menino sapeca que corre atrás da prima na fazenda com um badoque na mão 😀 E mesmo com o pouco contato, vejo que esta é a filosofia de vida do Raul e de quem o cerca. Não correr atrás dos outros com badoque, mas de tá sempre próximo da natureza e do que ela oferece. Cachoeiras, trilhas, pé descalço e essas coisas boas. Desta vida que tantos buscam e que ele tem de graça. De valorizar o que é produzido pelas mãos e com cuidado.

As invencionices do menino parecem ter vindo junto com a infância. Gente arteira assim, tá criando desde muito cedo. Marcado o encontro, cheguei no apê dele, um lugarzinho bem aconchegante com muitos móveis e acessórios em madeira, quase tudo saído das mãos do Raul. E aí comecei a fuçar tudo pra trazer aqui pra vocês. Fui logo pra cozinha, não porque tinha uma torta de chocolate delis feita pelo próprio nos esperando, mas porque tinha esta pecinha. O Raul aproveitou sobras de madeira Pínus e criou a pecinha. Estreita e comprida, se acomodou certinho na cozinha tipo corredor. Adicionou rodízios pequenos e transparentes pra facilitar.

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No tampo, um papel de presente lindo foi aplicado e protegido com vidro.

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Talvez por gostar de cozinhar, criar guloseimas para namorada e para o amigos (e ele continuar com porte phyno) a cozinha recebe um cuidado especial e mais invencionices. Essa eu adorei muito e vou fazer! Com uma lâmina de madeira que sobrou, o Raul abriu furos já medidos com uma furadeira e encaixou aqueles tubinhos de ensaio de plástico, que a gente usa como lembrança de aniversário, saca? Daí, acrescentou os temperos em cada tubo. Ó que massa?!

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O moço ainda caprichou mais no ambiente, deu um up na parede acima da pia com plástico Contact e com mais sobras de Pínus criou estes mini pallets pra apoiar as panelas. Ah e esse é o Raul. Te juro, ele é gente grande.

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Saí da cozinha depois de espiar o bolo de chocolate. Na sala, mas itens bacanas, construídos com muito pouco, de forma simples mas que agrega valor ao coração do Raulzito e de quem passa pelo apê. O banco com pé bandeirola foi construído por ele, recebeu apenas um verniz e fica aí, encostado na parede, sem ocupar espaço e comprometer a circulação.

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Cês viram aí na foto de cima aquela planta lá atrás? O Raul jura que é uma pimenta comum, mas eu creio no fundo do meu ser que deram o feijão mágico de João pra ele. Porque eu nunca vi pimenta crescer tão rápido, ficar grandona assim num espaço tão reduzido. Sei não… acho que da próxima vez que for comer bolo, visitar o Raul, ele vai descer de balão pra me atender. Pois bem, deixando minhas viagens de lado, o móvel que apoia a pimenta também foi feito por ele. Te disse que o menino era danado. Com pequenos pedaços de madeira, ele montou uma espécie de nicho com rodízios, onde o tampo se abre no estilo baú.

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Ainda na salinha, balões que ele fez com papel. Buscou o molde da net e só. Mas o fundo do meu ser me diz que isso é um protótipo pra experimentar novos meios de transporte (não te falei? Raiai) E abaixo da peça da TV, um baú que ele ganhou do sogrão. Ao lado, um banquinho que tava todo xoxo e ele meteu cor! Se inspirou na minha amiga Ju Amora. Que lindo!

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Mais detalhes pela casa. O gancho pra pendurar roupas e acessórios de bike ele também produziu. Já o porta retrato foi um presente, mas que também representa toda a atmosfera do lugar.

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E aí estão eles, que me receberam com tanto carinho, simpatia e cuidado. Raul e sua amada Thainá e minha amiga querida, Jojow!

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Só não vou postar foto da gente comendo horrores do bolo perfeito! E prometo trazer o Raul de volta pra cá. Te digo o motivo: não satisfeito com as peças no seu apê, ele tá montando nada mais nada menos que uma casa da árvore! A coisa é profissa, minha gente, fiquei boba com as fotos. Compartilho por aqui quando tiver toda pronta. Obrigada, Raul, Thai e Jojow por este encontro!

E você aí do outro lado, te prometo que em breve trago mais casinhas dozamigues com ideias legais, tá bom?

Bjbj, genten!