27 fev 2015
Viagem

O Carnaval em Paris. Uma festa de estrangeiros e união!

Ooo povo amigo, eu não vou mentir que fiquei tooda maravilhada com o carnaval daqui! Eu sabia que rolava uma movimentação, mas não tinha parado pra pesquisar lugar, dia e horário. Nada. Não sou muito fã da festa no Brasil, então por aqui também fiquei de boa, na minha. Mas marido, precisando fazer imagens específicas pro documentário dele, assanhou pra ir pra rua. Pegamos o itinerário e fomos. Um pouco distante, mas chegamos de boa. A galera sai da place Gambetta no 20º arrondisement e vai atéééé a place de la République, são algumas horas de caminhada. Mas a gente nem sentiu. Mentira. Senti quando cheguei em casa à noite, com a mãos nos quarto.

Então, a festa é uma coisa muito fofa, sério! Antes de tudo, achei que é feita por muitos estrangeiros. Os franceses que conseguimos descobrir tocavam e alguns eram regidos por nós, brasileiros. Alguns brasileiros comandando a festa e foi lindo de ver. Muitos trabalham dando aulas de samba e outros ritmos aqui na França. Eles se unem pra festejar e fazem isso de uma forma muito simples e se divertem horrores. Espírito que parte do nosso perdeu há um tempo. O que mais vi era gente sorrindo e sorrindo  e o povo de fora ria mais e paravam, pediam pra tirar foto, cumprimentavam os amigos que desfilavam, num gesto de companheirismo e homenagem. Sabe o propósito de se divertir? Então. Sem o rigor de julgamentos, sem a pressão de fazer tudo certo, sem competição, sem exageros e fantasias super trabalhadas. Era uma confraternização de diferentes grupos estrangeiros que vivem aqui, que trabalham e que também ajudam a sustentar Paris.

Eu confesso que ria demais da mistureba, ria com admiração, por favor. E ver a galera nem aí pra isso era o que o mais gostava. Esse grupinho de rosa, com meninos e meninas, marchavam ao som de Rihana em “speed” sabe? Tipo, acelerou bemmm a música, Rihana ficou com voz de “Alvin e os Esquilos” e eles dançavam em outro ritmo. Ah e isso, cada grupo era responsável pelo seu som.

Em alguns, a coisa me parecia assim: quem tem qualquer fantasia em casa veste e vai pra rua e aí na hora a gente junta 😀 Mas não foi, não. Tem tema também. O desse ano foi ” Dragões, cavaleiros e castelãs” Aí explica: um cavaleiro medieval, mó concentrado marchando na frente de um carrão importando dirigido por um fantasiado  de gângster com uma loira miss em cima acenando pra gente 😀 É muito informação, minha gente! Hahaha Adorei <3

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Sem condições, material sensacional pro doc de marido…

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No grupo dos Irlandeses, todo mundo chacoalhando o xequerê com maestria. O xequerê é esse instrumento feito com cabaças e contas. Quando era pequena e via um, ficava doida pra tirar as contas pra mim e fazer colar de miçanga. E esse que guia o povo com certeza devia ser latino. Se num fosse baiano… Espia. Mais pra frente te conto.

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A turma escocesa era guiada, de novo, por um brasileiro. Que sambava divinamente e corrigia as meninas todas se não sambassem direito. Na camisa tava escrito ” Bateria Puro Mel – Sambacademia” Delícia!

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O grupo mais bonito, sem dúvida foi o dos latinos. Os bolivianos desfilaram com suas mulheres extremamente coloridas. Nada de mulher parecendo boneca de plástico. Eram mulheres como eu, comuns, de diferentes idades, vestidas de alegria e com roupas características da sua cultura. Giravam, giravam e não paravam um minuto de dançar! Fiquei tonta só de ver. Imagina se invento de dançar?

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Dançavam ao som de suas músicas tradicionais, nada de americanismos. E ícones de histórias, lendas populares, bichos também caíram na festa. Ok. No meio no percurso ninguém aguentou o calor e a fantasia ficou sem cabeça.

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E no meio do trajeto, uma feirinha de objetos usados e antigos. Malz aê, mas saí o desfile pra desejar várias coisinhas…

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Massssss eu tava estranhando. Eu tava quieta demais. Só balançava a cabeça, dobrava o joelhin que nem mainha faz.. Aí comecei a ouvir um som diferente, muito encorpado e comecei a me arrepiar..

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O som foi aproximando, o grupo chegando e eu arrepiando, arrepiando e pensei: ” Oxe! Esse som é da Bahia!” E marido: “Né não, nina, é um batuque deles só..” Óó homem de pouca fé… O compasso, o tambor, o ritmo era o som sim da minha Bahia, coisa de quem tocou, viveu, ao menos viu um tiquinho do Olodum, mas era da Bahia e bati o pé. Quando chegou perto de mim, confirmei: tem baiano nessa muvuca. O povo vestia túnicas africanas e o balanço era do Olodum. Aí foi demais, dancei e fui pro meio da rua!

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Era o mais organizado, com um guia na frente tirando quem pudesse entrar na apresentação. É porque tinha um regente que precisava sincronizar cada toque. E como eu descobri isso? Quando esse cara aí da foto veio pra cá pra baixo onde tava, só cheguei de junto e soltei: “Eiiiiii, tu é baiano??” Ele me olhou com cara de “Quem é tu, fia? Louca?” Mas, oxe, na hora! O cara lá regendo e eu gritando no pé do ouvido, já fazendo a micro entrevista. Descobri que o Eric ou Erick 😀 morou até pequeno em Salvador e que os país vieram pra França com ele. Todo carnaval o grupo dele sai mostrando o que aprendeu durante o ano. Saiu da Bahia, fio, mas a baêa não saiu de ti, hein??

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Atrás dele, um grupo com fantasias em material reciclado e também já chamando o povo pra próxima farra. É que em março existe a festa das mulheres, onde mulheres fantasiadas saem às ruas. Soube que é uma manifestação bem bacana e claro, vou lá ver, né? E olha um infiltrado nosso aê…

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O desfile seguiu e a cada rua ia chegando gente, se juntando e foi formando uma muvuca enorme na place de la République no 11º arrondisement.

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Depois dos atentados, o lugar virou um ponto de homenagens e memória. Mesmo em meio à farra, teve gente parando pra refletir.

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O que durou pouco, porque com o mundaréu de gente chegando, só vi francês alegre e balançando o pé!

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Menino, gente idosa, jovem, bebê fantasiado de leão… Caí dura feat enterrada de fofura. Todo mundo junto pra se divertir e mostrar pros amigos, a preparação que fizeram, suas roupas, sua performance. Uma diversão que só! E daí que tem um urso polar junto com mulheres com máscara de Chuck, o boneco assassino? E daí se muita gente não sambava direito, se a tocavam marromenos, se iam fantasiados com lençol? O gostoso mesmo é diversão com paz, harmonia e uma segurança danada em pleno carnaval de rua. Adorei ter visto isso de perto. Brincadeiras à parte, o carnaval na França acontece em vários lugares e dias diferentes, tanto em Paris quando no interior. Uns mais organizados e profissionalizados que os outros. Tem coisa phyna pra caramba, inclusive. Esse aí foi o do dia 15/02.

O próximo já tem data definida pra começar, dia 7 de fevereiro e o tema é “O fantástico mundo aquático”. Será que vão misturar um tubarão com máscara de zorro num carro da belle époque ao som de reggae? 😀 Ahh eu queria muito tá aqui pra ver tanta diversidade e divesão! Se quiser curiar, tem o site do evento.

Beijo, genten!

 


5 respostas para “O Carnaval em Paris. Uma festa de estrangeiros e união!”

  1. Priscila Leal disse:

    Quando leio seus posts parece que tu ta na minha frente, falando igual uma matraca e rindo…hahahahahahah Amei saber dessa folia em Paris amicaaa!! Ri muito da narrativa! rsrsrsrs beijooooo

  2. rodrigo lucas disse:

    Parabéns pelo post! E pelas fotos…Incríveis!!

    Só gostaria de comentar sobre duas coisas: quando vc diz “Espírito que boa parte do nosso (carnaval) perdeu há muito tempo.” Bom, eu não sei no carnaval dos abadás da Bahia, mas aqui no Rio este espírito de carnaval segue firme e forte! Aliás, até mais espontâneo e divertido. Ano que vem, passe o carnal nos blocos do Rio! Vc vai conferir de perto o que estou dizendo!

    A outra coisa é só uma observação… O “rasta” da quinta foto pode ser um latino, sim! Aliás, ele inclusive pode ser francês!! Porque os franceses também são latinos. Ah, mas isto com certeza vc sabe, né?! Afinal vc é jornalista.

    Forte abraço!!

    • Eva Mota disse:

      Lucass! Obrigadão, menino!

      Muito obrigada pela visita e por ter gostado! De verdade!

      Quanto ao carnaval do Brasil, não houve generalização. O “boa parte” tá aí pra isso, justamente por saber dos bloquinhos do Rio, não só pelos amigos que saem da Bahia pra acompanhar a festa no seu estado, como pelos relatos que leio. Assim como o de Recife, Olinda que é uma delícia (experiência comprovada) e outras manifestações que vão no sentido contrário, até mesmo na Bahia.

      Tenho certeza que oportunidade não vai faltar de ver de perto os bloquinhos daí e curtir ao som de gente que gosto. Casuarina, Anna Ratto.. <3

      Ah, de boa, jornalista é gente. Erra.

      Um abraço!

  3. Ticiane disse:

    Ri muito imaginando você gritando no ouvido do baiano! Rs… Bj

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