25 fev 2015
Viagem

Saint-Germain-de-Prés/Parte I

“Mas logo nele? Êêê, tamo lascado” Foi isso que pensei quando tudo se encaixou. De todo o processo de organização (de meses) da viagem pra cá, a parte da moradia sem dúvida, me coube. Lembro aqui, de relance, ter ficado um mês fuçando todo santo dia, aluguel em Paris.  No final, consegui inúmeros contatos, mas nada nos servia ou muito caro ou o tempo disponível curto. Até que uma amiga querida facilitou demais a coisa. Me passou o contato de brasileiros que moram aqui em Paris e trabalham alugando imóveis. O preço que dava no nosso bolso, um bairro central, ótima localização, seguro e um cantinho confortável. Foi assim que a gente veio parar no Saint-Germain-de-Prés. Pensei “logo nele?” Porque já sabia a fama de caro do bairro.

O Saint-Germain-des-Prés é um bairro secular à margem esquerda no rio Sena. Isso quer dizer que, junto com outros, foi por aqui que Paris começou quando ainda fazia parte do domínio romano.

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Fica no 6º Arrondissement  ou” distrito”. O mapa de Paris é como um caracol com uma escala decrescente, sabe? Quanto menor o número do distrito, mais central ele é. Aqui foi onde construíram a primeira abadia da cidade, um complexo monástico medieval, no século VI. Tu tá entendendo? É muito tempo, minha gente, muita história. A única construção que sobrou depois de séculos de lutas, guerras (saaangue pra dédeu) e mudanças foi a igreja, já bastante reformulada. O bairro tem esse nome em homenagem ao bispo Germano, que consagrou a abadia e foi sepultado na igreja. Além disso, virou santo. Santo Germano, ou “Saint-Germain” e o “des-Prés” quer dizer “dos prados”. Prados são vales, campos, o que mostra que a abadia ficava fora da cidade nessa época. São Germano dos Prados.

Hoje a Eglise Saint-Germain-des-Prés é a mais antiga de Paris. E eu não tinha noção que tava ao lado de tanta história. Além de bispos e outras pessoas influentes, nomes como do filósofo René Descartes estão sepultados nela. A gente sai do studio, vira à direita, depois à esquerda e logo à frente tá a igreja.

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Sinceramente? Gostei muito mais dela que da famosa Sacré-Coeur. Vou logo avisando, chorei. Chorei quando entrei ao som de órgão de tubos immeeensos. O lugar é lindo, arrepia, a atmosfera aperta o peito e ainda, estudava pelo livro, minha gente, agora tava dentro da bagaça. Ver de perto as aulas de história da arte, as naves, abóbadas, transeptos típicos das construções das igrejas antigas foi demááás pra o coração.

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A igreja conta com um App só dela pra guiar o visitante. Mas se quem for lá não tiver, há panfletos e gente pra tirar dúvidas.

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Logo quando a gente entra, ao lado direito, uma outra pequena nave (sala) recebe agora uma exposição linda, a “The Bridge”. Uma exposição inter-religiosa de arte contemporânea.

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Jovens artistas de várias partes do mundo, várias religiões e uma única linguagem: a arte. Em tempos pós atentados, é mais que necessário promover estes questionamentos, não?

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Quase em frente à igreja, o famoso café Les Deux Magots (Magots são figuras orientas, relativas à comerciantes). Depois da segunda guerra, virou um reduto de artistas, intelectuais. Sartre, Simone de Beauvoir, Picasso, Ernest Hemingway, Saint-Exupéry foram alguns dos que sentaram a buzanfa pra tomar um cafezinho quentchy aí do Les Deux.

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Até hoje ele mantém essa áurea da época, com garçons suuuper bem vestidos e todos homens. Há algum tempo a primeira garçonete chegou por aí. Assim como o Les Deux, grande parte dos cafés parisienses são no estilo art-déco, herança do art-nouveau. Cores fortes, escuras, brilho, bronze, madeira pesada e espelhos, a gente vê por aqui. Só vive cheio à noite e acho um tanto caro pra mim. Essa semana tá fechado, tão pintando, fazendo reforminhas.. Eita, nem pra me chamar pra ajudar, néammm? 😀

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Antes dele, na mesma calçada, o Café de Flore que eu acho mais bonito. Não só pelo nome, mas por achar mais acolhedor com essas plantinhas. À noite fica lindo com o letreiro ligado e mais luzes por ele. É tão tradicional quanto o outro por ter recebido toda a galera dazartchy. E pra bolso raso como o meu, também não é o mais indicado pra comer bem. Um café ou um chocolate são de lei. Aí vale.

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Mas têm opções boas e com preços bons também, só é procurar. Procurei e achei o Le Mondrian. Só pelo nome, sabia que era algo massa <3 A decor típica, do mesmo jeitinho dos outros. Madeira escura, cores forte e até um teto dourado.

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O pedido clássico: Quiche lorraine com salada e creme brulée de sobremesa.Um garçom rápido, simpático que ainda arranhava o português. Tá demorando de ver um francês mal educado, viu, minha gente? O que sinto é que eles são práticos, objetivos, escolheu, escolheu, pediu, pediu, não pediu, já foi, muda na hora pra outra mesa. E eu, boa virginiana (pra não dizer chata pra caraléo) me reconheci, não vou mentir 😀 O gerente também, simpático, rindo do meu esforço pra falar o francês mais correto que conseguia. No final ele que tentou e soltou um: “Obrrricatô”.

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Mas se quer matar a fome rapidinho, ali na rua mesmo, ó os quiosques de crepes, churros (que aqui é Chichi)?? Nutella com banana e queijo emmental com tabaco… Já elegi os dois como amores grandes da minha vida roliça!

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O Saint-Germain-des-Prés é enorme e tenho adorado conhecer mais sobre ele. Mas veja, só é um pouco, um pouco mesmo do que é. É a minha visão, o que tenho registrado. Tenho topado com muiiiiita coisa boa por ele, mas não dá pra te trazer tudo, se não, seriam semanas só pra falar dele. E tu sabe como eu converso, hein?

Então amanhã te falo mais, beleza? Um bisou!

 

 


9 respostas para “Saint-Germain-de-Prés/Parte I”

  1. Iris Barros disse:

    Estou amando ver Paris pelos seus olhos, quer dizer, suas palavras. Sempre que leio seus posts me transporto para dentro da história de tão rico em detalhes que eles são.

  2. Maíra Pinto disse:

    Chorei aqui também com a tua descrição da emoção sentida na Eglise Saint Germain… muita história, muitas vidas… há um ano atrás era eu quem estava tomando um chocolate no Mondrian. Estou adorando rever Paris sob teu olhar. Beijinhos e não pare!

    • Eva Mota disse:

      Ahhhh que lindeza, Maíra! <3 É mesmo uma delícia e emocionante. Ao menos pra gente que gosta, né? É tanta história, é um mundo tão antigo, tão diferente do nosso, que é impossível ficar indiferente, né? Que bom, que feliz, muito bom mesmo que tu tá gostando. Gratidão! Um beijo grande!

      • Maíra Pinto disse:

        Depois do café, caminhamos até o Marais (me apaixonei pelo Marais), no caminho me encantei com uma igrejinha, acho que o nome é Saint Paul. Olha, tenho certeza que ai tem vampiros, nessas ruelas de luz difusa, amareladas, hahahaha… no Marais cheguei a sentir aquele frio na espinha e não era do tempo gelado não! Minha tia disse que era desejo encubado de ser atacada por um vampiro, kkkkk… aproveite! beijinhos!

  3. […] Fizemos três meses em Paris morando no famoso Saint Germain-des-Prés, já te falei como era aqui e aqui. Mas a falta de afinidade com o lugar foi rápida, mesmo sendo um bom bairro. Logo no […]

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