6 de fevereiro de 2015

Salut, mes amis! (e Planejamentos)

Em Viagem

Ainnn minha gente! Como queria vir logo aqui pra gente prosear!

Chegamos há três dias aqui em Paris e a gente tá bem naquela fase de arrumação, adaptação e deslumbramento por segundo! Mesmo ainda nem parando pra namorar os lugares. Como vamos morar aqui por alguns meses (só voltamos pro Brasil no segundo semestre) É preciso conhecer, checar e ter segurança de um monte de coisa que aos poucos eu vou lembrando e contato aqui, tá bom? Realmente foi e ainda é muita coisa na cabeça de duas pessoas. E vou compartilhar um pouco, mas muito pouco dessa saga que foi chegar até aqui. Quem sabe não te ajuda?

Apois, o planejamento começou cedo, muito cedo. Em julho de 2014, mas até ontem, exatamente ontem, ainda tinha coisa em aberto. Sério. Como a ideia era vir pra estudar, foram etapas e mais etapas pelas quais a gente precisou passar. Marido é professor de uma universidade estadual e aluno de doutorado. O programa possibilita o “doutorado-sanduíche” (é assim que fala mesmo :D) onde o aluno pode realizar parte da pesquisa em outro país. A universidade onde marido ensina possui uma parceria com a Sorbonne Nouvelle – Paris III aqui na França e era o lugar ideal para os estudos em direção de fotografia no cinema, objeto de pesquisa dele.

Pra saber se o aluno é apto pra este tipo de curso fora, cada universidade tem a sua forma de trabalhar, seus programas, suas parcerias. Então, tô te contando o que foi a nossa história, tá bom? Depois de ter a versão parcial da tese de doutorado examinada e aprovada, a banca de avaliação recomendou que marido realizasse um plano de pesquisa na Europa. A partir daí é com o aluno e foi aí que começou a corrida loooonga pra dar conta de tudo. Gente, cês não tem noção de como é burocrático, demorado, cansativo, restritivo, estressante todo este processo. Se a gente fosse desistir, já era pra ter acontecido bem no início de tudo. O prazer só vem depois. Oká. Depois daí, foi a vez do órgão responsável pela bolsa de estudos entrar no jogo.

A CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior. É um órgão federal que fomenta o aprimoramento dos pesquisadores e professores do ensino superior do Brasil. É ela que ajuda financeiramente o bolsista. Mas atenção, neste tipo de doutorado, o “sanduíche” não há ajuda de custo para acompanhante. E essa informação a gente não encontra em lugar nenhum, só mesmo “natoralmente”, no meio do processo. Mesmo sendo casado, no papel como é o nosso caso. Por isso sim, foi preciso juntar grana, poupar, economizar pra caramba. Feriados, réveillon e outras comemorações foram dentro de casa mesmo. Nada de gasto. Roupas, festinhas, saidinhas com amigos, mesmo sendo coisa pouca, pra gente era grande, então o que eu ouvi de gente reclamando “cês tão sumidos” não foi brincadeira. Mas era pra um bem maior, talvez o maior passo das nossas vidas até agora.

Seguindo. O aluno junto com o programa da sua Universidade precisa enviar as papeladas pra CAPES. No site da Coordenação têm todos os documentos necessários. Mas em caso de um funcionário público, como marido, é preciso enviar junto um outro documento importante.

A autorização de saída do país é algo indispensável neste caso. Quem concede esta autorização é Casa Civil de cada estado. É um documento assinado pelo governador do estado. A gente foi prejudicado e tudo atrasou por conta da transição do governo baiano. O processo voltou sem ser julgado, mas insistimos, reenviamos e conseguimos.

Cada envio de documento, cada e-mailzinho simples, cada carimbinho, QUALQUER coisinha que envolveu o processo envolveu outra coisa chata pra carai: a demora. Se a gente fosse morrer do coração já era pra ter morrido. Lembra que te falei? A gente começou tudo isso em julho do ano passado! Pra cada etapa, eram semanas e mais semanas de espera. Mas a CAPES autorizou a bolsa, a Casa Civil deu ok. Beleza! Estas etapas foram vencidas, mas nem tava perto de chegar ao fim.

A esta altura, uma outra fase que ocorre ao mesmo tempo foi vencida. É que o aluno precisa enviar diretamente para o Campus France todas estas documentações.

O Campus France é uma agência oficial de promoção do ensino superior francês, uma espécie de plataforma de cadastramento de alunos de outros países que desejam estudar na França. Alguns documentos são enviados online por formulário e outros via Correios. E mesmo sendo um procedimento feito diretamente com outro país, foi um dos mais rápidos.

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Campus France autorizou, voillà! Chegada a hora das passagens, documentação, fotos, passaporte e seguros. Passaporte é facinho de tirar e tem um custo razoável. As fotos precisam estar em um formato específico de 3,5cm x 4,5cm além daquela que a gente tira na hora. Conseguimos fazer rapidinho com a Polícia Federal, mas em uma agência do SAC.

As passagens foram compradas em uma agência e até fechar tudo, a gente atualizava a cotação do Euro que andou mais caro ainda antes dos atentados em Paris. Conseguimos um preço melhor pela 7ª companhia mais segura do mundo a TAP Portugal,  ou seja, entramos na Europa por Portugal. Havia outra opção que era a empresa Air Europe que entra pela Espanha, mas o preço tava bem mais salgado. É preciso levar isso em consideração porque o valor total aumenta muito com o seguro de viagem internacional. Descobri depois de muito pesquisar, que o melhor pra o nosso caso era o Affinity.

O Affinity  é um tipo de assistência que engloba várias situação do viajante em outros países. A mais preocupante, claro, é a assistência médica que pro nosso caso, 6 meses fora, muito nos serviu. Mas uma questão importante é preciso saber. Quem for demorar um tempo razoável fora do país, morando, estudando e etc é preciso escolher a assistência médica por enfermidade preexistente, tópico que muitos planos nem abordam, mas o viajante pode pedir. Se por exemplo, eu passe mal e descubra pedras nos rins aqui na França, mas nunca tive sintomas aí no Brasil, o seguro cobre este tipo de atendimento. Porque esta opção não é dada na maioria dos planos. Se isso acontece e seu plano não cobre, os gastos com saúdem em Euros não são nada amigáveis. Então, quando descobri isso, sugeri que pagássemos este extra, mas com mais segurança.

E isso tudo durou semanas, meses e a gente seguiu estudando a língua antes de tudo, trabalhando aqui e ali. Na reta final foi de enlouquecer. Cê viu que o bloguinho deu um murchada a partir de agosto? Então, era por isso. Foi bemm complicado administrar apê, blog, lojinha, medos, novidades e descobertas com a viagem. Enquanto um resolvia ali o outro organizava cá. E nesse malabarismo a gente seguiu por meses.

Saímos de Salvador na segunda meia-noite. Mas antes ainda deu tempo de rodar um pouco pelo reino do dendê com queridos novos e velhos amigos, tomar um banho na praia do porto bem no dia de Iemanjá.

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De almas lavadas e blindadas, chegamos em Portugal antes das oito da manhã no horário de Brasília, mas pra eles eram quase meio-dia. No aeroporto da Portela em Lisboa há alguns guichês para diferentes tipos de passaporte, o Europeu e outros dois pra determinadas partes do mundo. Escolhemos a fila “Todos os passaportes” e é aí que a gente recebeu a carimbada final no passaporte pra seguir pra França. Esperamos nossa conexão e voamos de novo pela TAP perto das 14h. Chegamos em Paris na terça finalzinho da tarde, com 1º de temperatura nos esperando. Descemos no pequeno aeroporto de Orly e pegamos um táxi por sugestão de uma amiga que se vira super bem em Paris. O esquema é super organizado, com fila e taxistas ágeis e educados.

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Imagem: Wikipedia

Francês mal educado só vi aqueles que deixam os animais fazerem cocô em qualquer lugar. Já passei por calçadas aqui que creinnn… Preferi ir pro meio da rua.

Mas sobre nosso cantinho, nossa rua, nosso bairro e meus cursos livres (que eu vou atrás, cráriu, néamm?) eu te conto já, viu? Vixe, o que não vai faltar é post de Paris agora! Este foi grande, eu sei, mas fiz questão de compartilhar estas dicas porque recebi algumas perguntas pela Fanpage e pelo Insta Mas qualquer dúvida me envia um e-mail, tá bom? Daí se puder te ajudar, tô por aqui!

Ah, antes de terminar, eu preciso agradecer MUITO a vocês amigos e amigas queridas e a nossa família amada que emanaram boas energias, bons desejos, nos sustentaram, nos compreenderam, nos perdoaram e nos alegraram! Deus sabe como isso tudo é o que mais importa. Foco, fé, MUITA disciplina, restrições mas aqui chegamos!

Bisou!!