10 de março de 2015

Semana de Moda em Paris

Em Viagem

Eu já te falei, né? Que tô morando bem em Saint Germain des Prés, onde lojas de várias grifes se reúnem. Daí tô eu saindo aqui da rua, virei a esquerda e vi um baita de um burburinho: cinegrafistas, fotógrafos aos montes, e uma muvuca na porta de uma loja. Ia passar em frente de qualquer jeito pra pegar o metrô e toinn, lembrei! Era a Semana de Moda em Paris! A loja em questão, era nada mais nada menos que a do Karl Lagerfeld e posso tá enganada, mas acho que era ele, aquele entidade dhyva, que tava ali dentro. Não deu pra ver direito, vi que um grupo cercava alguém. Tentei ver aquele topete alvo, mas não consegui. Era gente demais. No outro dia, passo de novo em frente ao Les Deux Magots e mais muvuca. Câmeras e gente pra caramba entrevistando um senhora liiiinda, magérrima com aqueles cabelos brancos igual ao da Meryl Streep em “O Diabo veste Prada” sabe? Mas não sabia quem era. Me julgue, muooda.

Assanhei e fui saber da programação. Além dos desfiles restritos aos convidados e profissionais da área, na Semana de Moda de Paris acontecem outras atividades. Há desfiles abertos, como o do canal de Saint Martin, por exemplo. A pessoa tá lá, sentada e se vê dentro de um desfile.

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Foto: Frank Loschke. Liquid Photograpyc/Paris Hamburg. Site: Que Faire à Paris

Eu não vou te falar de tendência, bastidores e essas coisas, não. Pra isso tem gente mil vezes melhor. Se quiser saber o que rolou e o que ainda tem até amanhã, a Vogue francesa te atualiza bem com pequenos vídeos e o Twitter da H&M daqui também. Mas confesso que consegui notar algumas coisinhas pelos blogs de moda, como o cabelo da próxima estação: com franja cheia (Ebaaaa!) e cachos (Ebaa!!).

Então, voltando. Além dos desfiles, exposições. Muitas com preços acessíveis, como a do Museu de História da Imigração que conta a história de homens e mulheres estrangeiros que contribuíram e muito para a moda de Paris ser o que é. Muitas me chamaram a atenção, mas escolhi uma pelo coração. E a escolha não podia ter sido melhor. “Os botões na moda.”

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Pra quem é neta de costureiros e filha de uma, era natural ter mais que curiosidade por esta em especial. Corri pro museu de arte e decoração. São dois andares com uma coleção de mais de 3 mil botões. De várias épocas. Eles realmente contam histórias. Mostram que não são só pequenos objetos utilizados em roupas, mas sim objeto de arte, com uma mensagem assertiva por trás. Que marcaram uma determinada época da humanidade e veio se desenvolvendo junto com ela. No início, um exemplo dos materiais usados: madeira, pérola, pedra, couro, palha, vidro, metal, plástico.. ah, e pelos :/

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Além dos botões, manuscritos e desenhos antigos pra exemplificar um pouco da linha de produção. Aí a gente lembra da importância dos diferentes papéis do artista. Pensa, se inspira, desenha, tira do papel, dá a forma e voilà!

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Tudo era estudado e cuidadosamente pensado, como uma verdadeira arte deve ser. E sei que ainda é assim pra muita gente que trabalha com a moda, profissionais de diferentes vertentes ou pra o fã de coração, mesmo sendo banalizada e tratada de forma rasa por outros muitas vezes. É uma arte linda, cheia de história, de grande conteúdo e influências e que precisa sim, de muito estudo. Muito.

Eu pude estudar um pouco, um mínimo do mínimo desse universo e fiquei encantada. Durante quase dois meses me debrucei em diversos livros sobre o universo da moda. É que tinha sido convidada, há alguns anos, pra ensinar em um curso superior de Design de Moda. A disciplina seria Teorias do Design, o que muito me agradava. Estudei, dei a aula, aberta por sinal, pra outros professores e coordenadores. Passei. Mas o salário vergonhoso me fez desistir. Apenas uma mensalidade de um aluno pagaria um salário digno pra o professor. Mesmo assim me convidaram de novo pra uma disciplina ainda mais a minha cara, mas não deu. Foi bom porque pude entender um pouco mais sobre moda e a olhar ainda mais com carinho pra esta arte.

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Olha os botões de borboletas…

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E quantos detalhes desses!

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A exposição também traz roupas, sapatos e mais acessórios que foram escolhidos por grandes nomes como Dior, Gaultier para suas coleções. Que não podiam ser fotografadas, por sinal.

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Agora, uma coisa, tô vendo isso direto por aqui, um falta de organização daquelas. Cadê o povo que dizia pra mim: “Ahh, aquilo lá é outro mundo..” Não. É muita coisa igual. É uma cidade, antes de tudo. São vários os lugares onde não há nenhuma placa, nenhuma sinalização indicando que não pode fotografar. O visitante só sabe depois de ouvir carão de alguém, quando não ouvem gritos como foi na Sacré Couer, onde dois homens ficaram gritando com um grupo de turistas, em um descontrole que só. Bizarro. Eu vou tirando, até que alguém me mande parar. Ué, quem manda não dizer? Sou mãe Dinah por acaso? 😀

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O passeio por meio da histórias dos botões começa no século XVIII até o XX. Ao longo dele, pequenos artesãos, ou grandes pintores, escultores, designers de jóias criaram peças exclusivas pra artistas mundialmente conhecidos. Foi um beleza ver tudo isso de perto e ter a exposição como uma atividade possível de se acompanhar dentro de uma semana de moda tão grande. A Semana de Moda de Paris vai até o dia 11/03 e se quiser saber mais, entra no site da prefeitura que tem uma parte só pra o evento. E se quiser checar alguns cliques, na rede tá rolando a tag #lamodeaimeParis ou “A moda ama Paris”. Dá pra ficar por dentro!

Beijo, beijo!

 

 

 

 

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