29 de janeiro de 2018

Sobre desapego, retorno e aquilo que dá no coração

em Bate-Papo

Que título mais coisado, né? “Coisado” “Bichinhado” e até “Trem” é uma mania por aqui na Bahia. Quando a gente não sabe dá nome direito às coisas, sentimentos. Mas eu resumi nesse título, palavras de sentido.

Gente querida, como vocês estão? Ei, é sério, eu sempre perguntava isso quando escrevia por aqui na esperança de vocês me responderem mesmo, não é só hábito da educação. Mas eu compreendo a falta de resposta, afinal, do lado de cá também faltei demais com vocês.

Eu ainda vou falar mais desse retorno com saudade, com aperto de carinho no peito, de “ôô, gente, como eu gosto de escrever aqui, ainnn”. Eu sentia falta mesmo, de coração, de escrever como antes nesse bloguinho que hoje faz parte do meu site. Mas se desafio tem sinônimo ele se chama “2017” e toda o meu tempo, esforço, criatividade, dedicação e por muitas vezes, motivação e ânimo foram parar nos projetos de interiores e tudo o que os envolve. E tem um várias etapas que não, eu não gosto de fazer. Tentei dividir o trabalho antes mesmo de abrir o pequeno estúdio, mas não deu certo. A vida avisou que não era a hora de ter sóci@. Por isso, segui assumindo tudo só e o tempo faltou. Volto a falar disso já já.

 

SOBRE DESAPEGO

Sempre que aparece ou aparecia com mais frequência um reforma, uma repaginada em algum ambiente que fazia, depois do resultado, sempre tinha alguém pra comentar: “Ahh eu ia querer morar aí pra sempre” ou então “Ahh eu não ia querer mudar nadinha”. Aí já respondi, mais a de uma vez que não, gente, eu mudaria quantas vezes precisasse e pensar em viver em um lugar com a mesma cara me faz querer ir ali na rua, sentar no meio fio e chorar. Mas esse entendimento talvez tenha sido uma interpretação equivocada nascida de alguma postura minha. Eu não sei qual é. Só que, definitivamente, eu nunca fui apegada aos espaços, mesmo os que eu crio. Ou os dos outros. Não que enjoe fácil, mas por muitas vezes deixo claro uma forma de pensar: decoração é mutável como nós. Lugares, ambiente, espaços, objetos. Tudo. Tudo precisa mudar quando a gente muda.

E foi pensando assim e obedecendo as nossas necessidades que estamos, eu e marido, colocando nosso apê à venda. E por mais que eu olhe pra esses espaços e esse olhar acabe logo, porque só são 56 metros quadrados hahahaha é claro que somos cheios de carinho e muita gratidão por este lugar. Mas se ele, já há mais de um ano, não nos atende é hora de mudar.

Primeiro sofá e primeira parede. Quadro que pintei <3

Quem lembra de quando dei tchau à parede berinjela?

Adora esse ar clean! Mas o sofá pequeno ficou bemm ruim depois. Todas essas mudanças estão por aqui em tutoriais, tá bom? Só é procurar na caixinha de procura.

 

O espaço ficou pequeno demais. Apenas dois quartos não dão conta. Uma varanda, cozinha, área de serviço maiores também se fazem muito, muito necessário. Morro de dor com os gatos sem um mínimo espaço pra tomar sol, correr, mesmo tentando deixar o ambiente bom pra eles. O quarto que servia como meu antigo ateliê e escritório de marido, nem dá mais pra entrar. É tanto material meu e livros de marido, que o que se vê é caixa, madeira, mais caixas enormes e…. já foi, não dá mais. A gente percebeu isso há quase dois anos já, mas com a ideia de abrir meu pequeno estúdio, era preciso esperar. A gente não nada em grana, não nascemos nadando em grana, nossas famílias também não. Quem me vê viajando na férias pro Chile (Simmm vai ter posts lindos simm!) não sabe que a gente junta grana por cinco meses pra isso. E quando se tem planejamento, minha gente, a gente pode mesmo dar passos que a gente nunca pensou em dar.

A ideia também não é dar um grande salto, comprar uma casa grande, um grande apê. Primeiro porque a gente não vai comprar nada 😀 Com a vontade antiga de morar fora dessa cidade onde a gente vive, o aluguel nos dá um pouco mais de liberdade se isso for se concretizar. Por enquanto, morar no interior ainda é uma boa opção. Construir também, por enquanto, não é o nosso desejo. É mesmo fazer uma coisa de cada vez. O foco agora é a venda, o que pode ser rápido ou demorar bastante, então, não estamos de olho em nada de forma objetiva, mas já sabemos por onde queremos ir. Tempo ao tempo.

E nesse tempo, minha gente, eu olho pras feiuras que sobraram, pra área de serviço amontoada, o nosso quarto que é puooodre, com móveis super surrados, cama encostada na parede e me controlo pra não reformar tudo, pintar tudo, criar coisas novas, compartilhar tudo, mas me segurei e desisti. Agora que não faz mesmo mais sentido investir em um espaço que estamos dando tchau. Até a sala, que hoje recebe pranchas e cavaletes precisava de estantes novas. Enfim, o nosso tempo aqui realmente acabou. É a famosa crise dos sete anos 😀 que o apê completou conosco.

As cadeiras de Jatobá estão guardadas. As almofadas os gatos deram fim. Hoje, as eames de acrílico equilibram tanta madeira.

 

Eu olho pra ele, claro, com aquilo gostoso que dá no coração, vendo cada parede que mudou, de como era antes, da nossa expectativa e empolgação em receber o apê branquinho, sem nada, cada centavo que a gente juntou pra o financiamento proporcionado pelo governo da época, a escolha dos poucos itens que a gente teve condições de colocar: gesso na sala, telas pros gatos e uma marcenaria basicona só pra cozinha. No mais, entramos com quase tudo vazio e com meu móveis da época de estudante de jornalismo. Ainda vamos mudar com alguns deles, o conhecido rack amarelo da sala e a geladeirinha amarela também, que super nos serve são da época que eu estava na universidade. Quando entramos no apê, eu tinha saído de uma afiliada da rede toda poderosa pra concorrente. Assumi a chefia de reportagem e também continuava repórter de Tevê. Marido tinha acabado de concluir o mestrado, era professor substituto de uma disciplina que não era a vontade dele no curso de jornalismo onde nós nos formamos e ganhava mais que mal. Eu segurava mais as pontas nessa época e adoramos relembrar essas coisas. Casamento é isso, né? Uma hora um segura, em outra, outro, o que é de um é do outro e assim a harmonia se sustenta.

Mas foi uma delícia poder entrar pro nosso primeiro lar e construir nossas histórias nele. Eu posso sentir exatamente o que a gente sentiu há sete anos enquanto escrevo. Mas eu não vou falar muito mais sobre isso porque a mudança ainda não aconteceu e pode mesmo demorar, a gente sabe. Quando ela acontecer, vai ter mais e mais posts sobre isso. Um novo espaço, vááários tutoriais e reformas e pinturas (ai, como adoro!) e muita caixa, bagunça e tudo mais. Mas só vou pensar nisso quando isso começar. Por enquanto, tô de cá desejando que uma pessoa bacana ou pessoas bacanas apareçam pra comprá-lo e que essa etapa desenrole bem, com fé em Deus. Ainda não tem tom de despedida. Só um pouquinho. Prometo voltar assim que tiver novidades sobre isso.

 

O INSTAGRAM QUASE ME VENCEU 

Por ora, quero compartilhar o que disse lá no Instagram. Gente, eu não sei se todos vocês conseguem perceber. Sei que muitas e muitos usam as redes como um braço dos negócios assim como eu fiz e faço. Com bastante atenção e por meio dessa mesma atenção, comecei a me incomodar. E isso já durava um bom tempo.

Percebi o fato de que não dá mais pra depender de redes como Facebook e Instagram como únicas ou principais plataformas de um trabalho. É uma “morte lenta” como li. Principalmente pra quem tem um blog, agora site e que gosta deste espaço aqui como eu. Essas duas redes e suas mudanças constantes de algorítimos, regras estão cada vez mais favoráveis a quem é anunciante. E não há tanto problema nisso. Se você tem uma loja, vende um produto é uma ótima opção. Por mais que eu tenha os meus serviços, oficinas, como a de marcenaria e use esses meios pra divulgação, por mais que eu seja o meu negócio e o meu negócio sou eu, eu sinto um desconforto há T E M P O S de usar só esses sistemas assim e deixar que ele me usem também. Me favorecem? Acho que sim. Mas até um ponto e um tempo contado.

Com a mais recentes mudanças do Instagram, ele tem se facebookizado e eu tô super cansada disso. Acho mesmo que minha mente não funciona pra esse tempo às vezes. E se você presta atenção ou trabalha com comunicação há de perceber. Uma conta com muitas pessoas que acompanham o teu trabalho de coração, por liberdade, por interesse genuíno e que você se dedicou a elas, só tem seu alcance orgânico pra menos de 10% desse público. Se eu quiser que a minha mensagem, seja ela uma mensagem afetuosa e simples ou um produto lindo vindo de um negócio criativo, eu preciso constantemente pagar os posts.

E aí eu me crivei de perguntas como se não bastasse as que eu tinha. “Oxente, menina” eu pensei “Você ralou por dez meses pra montar um site e vender teus serviços, então tu já tem um lugar de “comércio” online, certo?”…” É…não sei…” Respondi pra mim mesma, ainda sem confiança. Aí bateu outra: “Antes de começar a “vender” pelo Instagram, essa conta era teu cantinho (sim, não tenho problema em falar “cantinho”) de troca sem a preocupação de alcance e isso te dava muito mais prazer, nera?“….” Era!” Respondi saudosista e com meus grandes olhos caídos brilhando. E se seguiu:”Você não tá aguentando mais só trabalhar na cultura instagramer, você é dessas que gosta de comunicar com mais tempo, espaço, liberdade e tudo isso o blog sempre te deu“…Ah minha gente e por aí foi… Chegou até a pintar um pouco das dúvidas: “As pessoas ainda gostam de ler?”e claro que não dei ouvidos aos questionamentos limitantes. Porque, eu sei que com o meu sumiço tomei uma baixa de gente querida que costumava vir aqui. Mas se somos seres criativos por natureza, essa criatividade nos dá a capacidade de renovação sem cessar.

Por e-mail, recebi mais uma news de quem adoro, como a Aline Valek (Plis, assinem a news dela! <3) o que me ajudou ainda mais sobre esse retorno: Então não é exatamente o fim do mundo. Talvez apenas um alerta para não ficarmos tão dependentes de plataformas dos outros, e começarmos a trabalhar nas nossas próprias plataformas. Lembra quando as pessoas produziam conteúdo para seus sites e blogs, aqueles que ficavam em domínios próprios, onde a pessoa tinha controle total do que seria mostrado e como seria mostrado? É isso. Número de seguidores não significa nada, nada, nadinha mesmo. O que deveria importar são as pessoas que você conquista e que vão querer ver seu trabalho não importa onde você publique. A questão se torna como chegar a essas pessoas. Mas limitações, como essas impostas pelo Zuckeberg, são ótimas. São elas que motivam nossa criatividade para encontrar soluções novas.

Eu agradeço a cada uma. A CADA UMA pessoa que está no meu Instagram e é claro que não vou abandonar essa rede que me é tão generosa e por onde as trocas são tão, tão, tão incríveis. E que essas trocas sejam duradouras e eu possa levá-las comigo sempre. Só que ficar refém dela também não dá mais.  Outro cara, parceiro, amigo que me ajudou a desenvolver ainda mais esse meu pensamento foi o Larusso, de quem já falei aqui e também na minha newsletter. O universo me presentou em outubro quando puder ser mentorada por ele e desde então seguimos trabalhando juntos, pensando juntos como melhorar a minha vida criativa e o meu negócio. No blog, ele escreveu: “Pra mim, um site pessoal é como se fosse nossa casa na Internet. Um lugar pra ser encontrado, para experimentar e me posicionar. É um jeito das pessoas saberem o que está acontecendo, o que estou fazendo ou desejando fazer. É, principalmente, um lugar livre pra minha linguagem, minha opinião, minhas tentativas de me expressar. Sites são uma forma de contar história, criar reputação e, ao longo do tempo, proximidade, conexão e confiança. Este é um lugar para além das plataformas, das mídias sociais.

Pô, logo eu, que adoro criar casas, não cuidei dessa aqui no último ano. Mas enquanto escrevo, olho da minha janela, a tela de proteção não me atrapalha. Saber que ela agora faz casa pra uns pombos que cagam no batente, também não. Porque está aqui de volta no exercício da escrita é saber que isso é um dos meus recursos que mais me inspiram na busca pelo real das coisas. É uma das minhas formas de retornar ao que me faz bem, de evoluir. Quando digo que a criatividade é muito mais que pintar paredes é verdade. A criatividade dá sentido à existência. E a escrita no meu blog representa isso pra mim.

O blog, assim como o site, tem vários ajustes que precisam ser feitos e refeitos, mas já vou esquentando os dedos mesmo assim. Pra encerrar, ontem vi “De Amor e Trevas” filme dirigido pela incrível Natalie Portman (sou fã moinnnto!!) sobre a infância do escritor e pacifista israelense Amos Oz. É porque eu tô com curiosidade pra começar a lê-lo em breve. Em um cena, o pai conversa com o Amos criança, explicando pra ele o sentido da palavra “Kadima” que em hebraico significa “Adiante!” e deriva da palavra “Kedem” que quer dizer “Tempos antigos”. O pai conclui a explicação a Amos refletindo que, avançar, ir pra frente é voltar ao passado. É preciso olhar o passado pra seguir caminhando pra o futuro.

Retorno“. Palavra que fez parte do título todo coisado, mas muito propícia. Acho que não preciso explicar mais. Voltei.

Sejam vocês, mais uma vez, muito bem-vindos!