17 de janeiro de 2015

Tudo começa num ponto

Em Viagem

Na linguagem, o ponto é um fim. Um interrupção e também união. Para Kandinsky o ponto era só o começo.

Pude ver de perto o trabalho deste cara que fundou a arte abstrata e que revolucionou toda ela. Wassily Kandinsky. A exposição aconteceu no Centro Cultura Banco do Brasil e trouxe a coleção do Museu Estatal Russo de São Petersburgo. Foi a primeira vez que a exposição saiu da Europa. Junto com as obras de Kandinsky, trabalhos de artistas que o influenciaram e que ele influenciou também. Ao todo, mais de 150 peças. A exposição mostrou pra gente um Kandinsky multi, não o artista que pintava quadros. Mas aquele que ajudou a fundar a Bauhaus, o escritor sobre estudos musicais, o ilustrador, o designer de porcelana, o amante da arte popular e da espiritualidade.

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A arte abstrata que nasceu com Kandinsky é a entrada em um universo sem fronteiras para arte, para a criatividade e para o que é infinito.

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Foi um grande mergulho nas raízes deste artista. Deu pra ver as referências dele, como a importância da cultura dos rituais de xamanismo e da arte popular do norte da Sibéria. Roupas, acessórios e outros símbolos deste período estavam expostos. Achei mais que sensacional poder, por mais uma vez, conhecer um pouco mais sobre quem fez história pela arte.

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Mas a mostra que mais marcou em Brasília sem dúvida foi “Caymmi – 100 Anos”. Eita, minha gente, não é só por ele ser baiano. Mas é o universo que eu nasci e me identifico, logo, toca o coração. É afinidade, como dizem os BBBs. Uma exposição pra homenagear os 100 anos de Caymmi né por nada não, mas tem que ser A mostra. E é. O cantor, compositor, ator e pintor (sim, pintor!) baiano completaria 100 anos no dia 30 de abril do ano passado. A mostra contou um pouco sobre a vida deste grande mestre. Desde quando ele começou no rádio em 1938 até a manutenção mais que atual da sua obra.

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A cenografia e arte pega o coração e aperta de tanta beleza! É de suspirar. Sem dúvida, uma das mostras mais lindas. Procurei saber quem eram os autores daquela arte na hora. Pelos tons, cores, objetos… Tudo soube traduzir muito bem este que apresentou a Bahia de forma única ao resto do mundo. A expografia, programação visual, de cenografia foi toda da Folguedo Produções.

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Foto: Folguedo Produções

A equipe da Folguedo é grande e excelente, com diversos profissionais experientes com longa carreira em TV, teatro e outros trabalhos. Se quiser saber mais sobre eles, clica aqui.  As músicas não eram só ouvidas, mas sentidas, vistas e cantadas por quem visitou a exposição. A linha do tempo apresentada na exposição foi um verdadeiro passeio de jangada no mar de Caymmi. Lindo de viver!

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Neste mesmo dia a gente absorveu muita poesia e histórias importante sobre a nossa literatura, cultura. A mostra ” Mário de Andrade – Cartas ao Modernismo” reuniu cartas, obras e textos do poeta Mário de Andrade. E apresentá-lo por meio de cartas e de textos foi maravilhoso. Uma intimidade bem perto da gente. Eram cartas para Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Drummond, Portinari! Ó que maravilho ler sobre  isso? Além disso, foi uma grande aula sobre este movimento ímpar para nossa cultura.

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Pra finalizar, uma mostra curiosa de um artista que conhecia muito pouco, o artista Russo Marc Chagall.  A mostra ” Marc Chagall – Fábulas de La Fontaine” expôs 97 gravuras feitas por ele para narrar os escritos do fabulista Jean de La Fontaine. Disse curiosa pela técnica utilizada. Fiquei por tempos olhando tentando decifrar se era pintura, carvão, mas no fim, os desenhos foram feitos em lâminas de metal esculpidas e passadas para o papel. Uma espécie de xilogravura com metal. Os traços são suuuper finos e quando se juntam, dão toda a expressão estética. O artista russo mergulhou no universo mágico e transcendental. E fez a gente ir junto, mesmo que por pouco tempo, quando o público podia ouvir áudios das fábulas e ainda levar o texto pra casa (com carimbinhos! Nhoinnn <3)

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Te disse que a viagem à Brasília foi boa, não foi? Depois de tanta história da arte, da música, da literatura, só podia ter valido muito à pena! E quem não morar em Brasília, procura saber, porque algumas destas mostras estão rodando o país.

Bjbj, genten!

 

 

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